São Paulo - Suzane von Richthofen, 22 anos, ré confessa no processo que a acusa de ter planejado e participado da morte dos pais -Manfred e Marísia-, em outubro de 2002, deve deixar hoje o Centro de Ressocialização Feminino (CRF) de Rio Claro (175 km a noroeste de São Paulo), segundo informações de seu advogado, Mário Sérgio de Oliveira.
A ré foi beneficiada na sexta-feira por uma decisão que a concedeu o direito de permanecer em prisão domiciliar. O benefício foi concedido a Suzane, em decisão liminar, pelo ministro Nilson Naves, do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Um ofício sobre a sentença foi encaminhado no final da tarde de anteontem ao juiz Alberto Anderson Filho, do 1.º Tribunal do Júri de São Paulo. Logo que sair da unidade, Suzane deverá participar de uma audiência onde serão definidas as regras da prisão - como eventuais horários em que ela poderá deixar o local.
O juiz deverá decidir ainda se Suzane ficará sob vigilância policial. Para especialistas, a possibilidade é remota. O advogado da ré informou que Suzane deve voltar para a casa de Denivaldo Barni - que foi seu tutor legal até completar 21 anos - após sair do presídio.
Decisão
Não é a primeira vez que Suzane deixa o sistema penitenciário. Em junho de 2005, o mesmo STJ concedeu a ela o benefício da liberdade provisória que, posteriormente, foi estendido aos supostos cúmplices dela no crime, os irmãos Daniel e Cristian Cravinhos. Em abril deste ano, Suzane voltou a ser presa por decisão do juiz Richard Francisco Chequini, do 1º Tribunal do Júri.
O magistrado entendeu que a liberdade dela representava um risco para o irmão, Andreas, com quem Suzane disputa a administração dos bens da família. O novo mandado de prisão foi expedido em meio à polêmica provocada por uma entrevista concedida por Suzane ao “Fantástico”, da Rede Globo.
Nela, segundo o próprio programa, Suzane aparece sendo orientada por seus advogados a chorar e demonstrar fragilidade diante das câmeras.
Para o ministro do STJ, entretanto, a segunda prisão foi idêntica à primeira e não poderia ter sido decretada já que uma instância superior havia decidido por conceder liberdade provisória à ré. Para Naves, a nova prisão “agravou ainda mais o excesso de tempo da prisão provisória”, argumento que havia sustentado a soltura de Suzane.
No pedido que culminou na concessão da prisão domiciliar, a defesa de Suzane alegava que, enquanto ela esteve livre, “respondeu a todas as expectativas sociais de um comportamento ajustado” e negavam que ela tivesse representado uma ameaça “a qualquer um”.
Os pais de Suzane -Manfred e Marísia - foram surpreendidos enquanto dormiam em casa, no Brooklin (zona sul de São Paulo) e golpeados com bastões, ainda na cama.
‘Má vontade do juiz’
Rio Claro - Um dos advogados de Suzane von Richthofen, Mário Oliveira Filho, disse ontem que ela não foi libertada no fim de semana por má vontade do juiz Richard Francisco Chequini, do 1.º Tribunal do Júri, em assinar o alvará que a autorizava a deixar o Centro de Ressocialização Feminino (CRF) de Rio Claro (175 km de São Paulo).
“O juiz teve a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) na mão na sexta-feira e não assinou. Disseram que não havia o endereço da prisão domiciliar no ofício, mas sempre foi a casa do Barni (Denivaldo Barni, advogado e tutor de Suzane) e isso sempre esteve nos autos”, reclama Oliveira Filho. O juiz não foi localizado pela reportagem.
Ontem, ela não recebeu visitas e, segundo cinco familiares de outras presas, não foi vista no pátio do CRF no horário de visitas. “Ela fala que está tranqüila porque sabe que não vai ficar muito tempo aqui”, disse a mãe de uma das detentas, que não quis se identificar.