O vereador Futaro Sato (PDT) atirou no que viu e acertou o que não viu. Ao falar sobre oito lavadoras de alta pressão e oito compressores de ar que estão encaixotados desde 2002 na Secretaria das Administrações Regionais (Sear), Sato deixou à mostra a incompetência de duas gestões: a de Nilson Costa (PPS) – a qual se opõe – e a atual, de Tuga Angerami (sem partido) – apoiada pelo vereador.
Sato usou a tribuna da Câmara para criticar o ex-prefeito Nilson Costa (PPS) de ter feito gastos desnecessários, sem uso até hoje. Argumentando que precisa desempenhar seu papel de fiscalizador do Executivo, o parlamentar acertou em apontar a situação original, mas errou ao se esquecer de levantar por quê as os equipamentos continuam parados há 17 meses também neste governo.
Para o vereador, no entanto, a justificativa do atual secretário das Administrações Regionais, Nélson Fio, de que o valor para instalar as lavadoras e compressores é muito alto, é suficiente para isentar a atual administração da manutenção do erro ou extensão do desperdício.
Contudo, apenas agora, através do vereador da base aliada, surge a informação de que há equipamentos guardados desde a gestão anterior, sem a intenção de utilização pelo atual governo.
A situação fica ainda mais inusitada quando são confrontadas as justificativas dos secretários das Administrações Regionais das duas gestões para a situação. Ambos afirmam que os equipamentos não foram utilizados porque não havia, como ainda não há, local para eles serem ligados. A voltagem dos itens é 220 e a Sear só possui instalação elétrica para 110 volts.
O primeiro secretário, Arlindo Figueiredo – responsável pela compra dos materiais –, disse que estes foram adquiridos para a limpeza de caminhões e máquinas da Sear, mas não foram utilizados porque, segundo ele, a Secretaria de Obras não fez a instalação elétrica, com voltagem 220. “Sem recursos não tinha condições de fazer nada”, argumentou.
Já o atual secretário, Nélson Fio, afirma que os equipamentos não foram utilizados no ano passado porque a Sear estava “realizando estudos” para saber se valia a pena fazer a instalação elétrica na voltagem 220. “A intenção era utilizar, mas não compensa. Fica muito caro para fazer a instalação”, justificou.
De acordo com Fio, o mais provável é que os equipamentos sejam vendidos, já que a Sear não pretende utilizá-los. “Vamos conversar com o prefeito e ver o que vamos fazer, mas a idéia é vender”, disse. Com a pressa na solução, os equipamentos adquiridos com dinheiro público vão ficar dois anos parados por falta de instalação elétrica e agora, mais dois anos, por indefinição quanto à sua destinação, ampliando as oportunidades do prejuízo ser ainda maior para a cidade.
O ex-prefeito Nilson Costa afirmou que não tinha conhecimento do fato e, mais uma vez, reagiu que as críticas a ele são feitas porque os adversários começaram a perceber que a população não está contente com a administração Tuga Angerami. “Na medida em que a população começa a sentir saudades de nosso governo, eles ficam tentando cavar mentiras e intrigas para jogar o povo contra nós”, afirmou. Da atual administração, apenas o secretário das Administrações Regionais, Nélson Fio, se manifestou.