Jacarta - A ajuda aos sobreviventes do terremoto que matou pelo menos 5.427 pessoas na Indonésia começou a chegar ontem ao país devastado. Na noite anterior, haviam chegado apenas cargas pequenas de alimentos. O governo indonésio estima que haja cerca de 200 mil desabrigados, e a Organização das Nações Unidas (ONU), a Cruz Vermelha e outros grupos de ajuda humanitária, além de governos de países doadores, apressaram as remessas de alimentos e medicamentos às áreas afetadas, enquanto organizam o socorro a regiões da ilha de Java.
Um carregamento aéreo chegou na manhã de ontem com água, barracas e lona impermeável à cidade de Yogyakarta, arrasada pelo tremor de 6,3 graus na escala Richter. Soldados iniciaram a distribuição de arroz, mas, segundo sobreviventes, o carregamento é insuficiente para as dezenas de milhares de pessoas acampadas diante de suas casas destruídas. Autoridades indonésias dizem que a ajuda não está chegando a tempo aos desabrigados, “reduzidos à mendicância”.
O presidente do país, Susilo Bambang Yudhoyono, disse haver “falta de coordenação” na distribuição do auxílio. As necessidades mais urgentes, segundo a ONU, são geradores, barracas, hospitais de campanha e suprimentos médicos. Agentes dizem esperar que cheguem em até três dias. O aeroporto de Yogyakarta reabriu, mas buracos na pista de pouso e a má condição das estradas após o terremoto contribuíram para dificultar a chegada dos suprimentos. Até agora, 22 países, entre eles EUA, Reino Unido, China, França e Japão, já contribuíram ou prometeram auxílio em dinheiro, alimentos e médicos.
O centro do tremor de 6,3 graus na escala Richter, ocorrido às 5h54 locais de sábado (19h54 de sexta-feira em Brasília), situou-se 37,6 quilômetros ao sul da cidade de Yogyakarta e perto do vulcão Merapi, que fica a apenas 30 quilômetros da cidade. O terremoto foi a pior tragédia a atingir a Indonésia - país com maior número de muçulmanos do mundo - desde a tsunami ocorrida em 26 de dezembro 2004, que matou 168 mil indonésios.
O governo estima em 2.155 o número de feridos, mas, de acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), mais de 20 mil sofreram ferimentos de cerca de 130 mil estão desabrigados - 40% deles crianças. O vice-presidente, Jusuf Kalla, estimou que a reconstrução deve custar cerca de US$ 107 milhões e durar ao menos um ano.
Vulcão
O terremoto triplicou a atividade do vulcão Merapi, que fica no monte de mesmo nome, também na Indonésia. O aumento de lava e fumaça expelidas pelo vulcão assusta os moradores, que temem uma erupção violenta. O vulcão já expelia fumaça e lava há cerca de três semanas, mas a quantidade foi triplicada após o terremoto. Segundo autoridades que monitoram a atividade do Merapi, em média, o vulcão tem expelido fumaça quente cerca de 150 vezes por dia, contra 50 registradas antes do tremor. “O terremoto causou uma instabilidade na cúpula de lava”, disse Subandriyo (na Indonésia é comum a utilização de apenas um nome), um dos técnico que analisam o vulcão. “Existe a possibilidade de ocorrer uma grande erupção”, acrescentou.
O Merapi, que fica em um monte de 3 mil metros, é um dos mais ativos vulcões de todo o mundo, que sofreu erupções muitas vezes nos últimos 200 anos, várias delas violentas e fatais. Autoridades já haviam ordenado a retirada de pessoas que vivem nas regiões mais próximas ao vulcão no início deste mês, mas o aumento de atividade do Merapi causou mais preocupação.