Tribuna do Leitor

A volta da autotutela


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A evolução da jurisdição começou com a autotutela, fase onde as pessoas faziam justiça com as próprias mãos pela falta de organização jurisdicional. Com o tempo passamos pela autocomposição, mediação, arbitragem até, enfim, chegarmos na concentração da justiça em um órgão sério e imparcial, apto a julgar que é o Estado. Nesse diapasão, considerando que a natureza é cíclica, podemos imaginar a volta da autotutela a partir do momento em que o Estado não dá conta de processar e punir os delinquentes por se confundirem, às vezes, na mesma pessoa.

Grande prova desse fato é que o povo, em sua grande maioria formado por pessoas de pouquíssimas informações, está apoiando a desordem total por que passamos. Não que tenha governo ou governante perfeito, pois se o homem é falho e somos governados pelos mesmos, difícil seria a perfeição, mas ao ponto em que essa massa aceita e apóia a corrupção elegendo uma quadrilha (palavras do Procurador Geral da República) para governar o país, não podemos esperar outra coisa se não o caos.

Um país que deveria ser comandado por uma pessoa culta, articulada, por dentro dos fatos, responsável, e, acima de tudo, competente, é manobrado de forma ardilosa por cínicos, corruptos e demagogos. Não seria um absurdo termos um governo assim, afinal, como disse, o homem é imperfeito bem como o eleitor, mas após tantos escândalos o mesmo governo continuar sendo apoiado, isso é de dar medo.

Reféns da fome não conseguem enxergar que em troca de uma bolsa mensal, a "mensalinha”, estão entregando nosso país. Quando acordarem, verão que não conseguiram matar sua fome, que não foram empregados, ao contrário dos milhares de cargos petistas criados por medidas provisórias e que não terão outra escolha a não ser lutar pela sua sobrevivência sem ilusões. Verão que foram enganados e que fizeram parte de um grande esquema criminoso onde o maior dos crimes foi a descrença popular.

Lembro a histórica frase de Abraham Lincoln, pela qual “é possível enganar muitos por muito tempo. É possível enganar alguns por algum tempo. Mas é impossível enganar a todos todo o tempo”. Quando o tempo conseguir mostrar que tudo não passou de um pesadelo e que o sistema foi corrompido pelas mentes diabólicas que conseguiram suprimir a ética da mente popular, aí sim será tarde, tarde demais para recuperar a jurisdição e cedo, cedo demais para retornarmos ao novo ciclo, o da autotutela.

Luiz Eduardo Penteado Borgo - bacharel em Direito

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