Bairros

Bairro foi o segundo a surgir em Bauru

Rafael Tadashi
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Hoje o Jardim Bela Vista tem Fórum, delegacia, escolas, transmissora de TV, mas nem sempre foi assim. De acordo com o historiador Gabriel Ruiz Pelegrina, o local era um grande cafezal na década de 20.

“As terras pertenciam a Miguel Batista. Posteriormente foram vendidas para Nicolas Garcia, que revendeu para Alcides Moreira Leite, que acabou loteando e assim a Bela Vista se tornou o grande bairro que é hoje”, explica.

Pelegrina afirma que o Jardim Bela Vista foi o segundo bairro de Bauru, o primeiro foi a Vila Falcão. Segundo ele, o local foi adotado pelos funcionários da Noroeste do Brasil. “Como as oficinas ficam para os lados da Bela Vista, os operários optaram por morar lá perto, já que naquele tempo não haviam ônibus ou automóveis”, diz.

Conforme o bairro foi sendo povoado, comércios e instituições surgiram. Pelegrina se recorda que em 1938 foi a uma quermesse que pretendia angariar recursos para a construção da capela Santo Antônio. “Eram mais os homens que freqüentavam quermesses. Havia sorteio de prendas e barzinho”, frisa.

Na década de 40, o Jardim Bela Vista recebeu um cinema, o Cine Bela Vista, a construção do hospital para tuberculosos Sales Gomes e a visita do ex-presidente Getúlio Vargas. “Ele veio apoiar a candidatura a prefeito do empresário João Simonetti e participou de um jantar na Bela Vista”, recorda Pelegrina.

Com a construção do hospital Manoel de Abreu na década de 50, o hospital Sales Gomes ficou funcionando exclusivamente para atendimento de familiares de funcionários da Noroeste do Brasil. Anos depois, Fauzer Banuth comprou o local e transformou-o em hospital psiquiátrico, demolido recentemente.

Ainda na década de 50, os paralelepípedos começaram a chegar às ruas do bairro. “Quando a prefeitura começou a asfaltar a rua 1.º de Agosto, os paralelepípedos de lá foram levados para o Jardim Bela Vista”, comenta Pelegrina.

Nas décadas seguintes foram construídos o viaduto JK, o colégio São Francisco de Assis, o Fórum e o cemitério Cristo Redentor.

Pelegrina salienta que, de tão famoso, o Jardim Bela Vista acabou absorvendo outros bairros próximos. “Vila Becheli, Vila Quaggio, Jardim Gérson França. Para as pessoas tudo por ali é Bela Vista, poucos sabem que estes bairros existem. A rua Alto Acre, por exemplo, faz parte da Vila Camargo, mas pergunte a alguém que mora nesta rua para ver a resposta”, desafia.

Érika Mirtes de Jesus, 28 anos, mora na rua Alto Acre desde que nasceu. Questionada sobre o bairro em que mora, ela responde com convicção e afirma que jamais ouviu falar em Vila Camargo. “A Bela Vista é muito grande, então nem sei quais são os outros bairros que fazem parte dela.”

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