Uma micronação consiste basicamente num grupo de discussões em que cada um exerce a função para a qual tem mais capacidade. “A homepage é a ‘cara’ do país, mas não exatamente onde o rebuliço acontece”, afirma Cláudio de Castro, empresário do setor imobiliário na vida real e imperador de Reunião, no micronacionalismo.
Ele explica que como o micronacionalismo é uma atividade “parlamentar” - tudo são textos escritos, enviados, respondidos, com exceção da confecção das homepages oficiais de cada país, empresa ou instituição - praticada via Internet, é difícil praticar atividades “manuais”.
“Não existem pedreiros, marceneiros, padarias. Não que sejam proibidas, mas até hoje ninguém conseguiu provar que têm aplicação prática no mundo micronacional”, afirma. “O que mais existem são advogados (defendem seus clientes na justiça, ou ficam como juízes ou promotores), padres e pastores (pregam na praça pública), diplomatas, políticos, jornalistas (escrevem, cada um, o seu jornal, são raras as iniciativas coletivas no micromundo), empresários (principalmente mantêm mecanismos de busca, atualizam sites oficiais), designers (fazem imagens de selos, notas, ou mesmo JPGs e GIFs para os sites), professores (temos universidades que ensinam, por exemplo, a história de Reunião)”.
Micropaís
Estudante de ciências sociais Gabriela Ribeiro Appolinario sempre se interessou muito por política. Em 2001, através de um amigo que morava na mesma rua que ela, descobriu que poderia protagonizar a vida política de um país sem sair de casa.
Gabriela entrou para a micronação brasileira Porto Claro. Lá entrou para um partido político, foi ministra e chegou à vice-presidência. A jovem afirma que hoje não tem muito tempo para dedicar a Porto Claro, mas ressalta que foi muito influenciada por esta experiência na vida real.
“Porto Claro me ensinou muito. Desde como me expressar e escrever melhor, trabalhar em equipe, ter responsabilidades, até detalhes do funcionamento de todo o sistema político de um país e os seus 3 poderes: Executivo, Judiciário e Legislativo”.
Porém, uma experiência em especial foi transportada da vida virtual para a real de maneira definitiva. “Encontrei em Porto Claro o homem que hoje é meu marido, e espero um filho dele. Encontrei também muitas pessoas bacanas que até hoje considero verdadeiros amigos”.