Regional

Sossego é prioridade em Boracéia

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Boracéia, uma pequena cidade com 4 mil habitantes localizada a 41 quilômetros a Nordeste de Bauru, esbanja tranqüilidade. Há mais de 10 anos não se registra um só homicídio e os últimos furtos de veículos aconteceram em 2004. Para manter a situação estável, a Polícia Militar (PM) faz prevenção. Velhos costumes como o de deixar a chave e o capacete sobre a moto e entrar em casa estão sendo abandonados em nome da segurança.

Manter a tranqüilidade da cidade é prioridade para os policiais militares, que optaram por soluções caseiras para solucionar problemas que atormentam os municípios maiores, diz o subtenente Valmir Melnek.

Para ele, manter a atual situação exige trabalho constante. “Como a cidade é pequena e muito tranqüila, percebemos que os moradores não levavam em conta cuidados básicos com a segurança, por isso, optamos pela conscientização.”

No mês passado, antes da Festa do Peão que atrai cerca de 12 mil pessoas nos quatro dias de duração, a PM lançou uma campanha com o apoio da prefeitura. Foram distribuídos quatro mil folhetos com informações e dicas de segurança, comuns em cidades onde a tranqüilidade já faz parte do passado.

Dicas como trancar o veículo, não deixar a chave no contato e não deixar objetos de valor expostos sobre o banco dos carros são elencadas nos 15 itens do folheto.

O que parece óbvio para quem vive em cidades maiores, em Boracéia ainda é um tabu a ser quebrado. O contador aposentado Edmundo Francischini por exemplo, resiste à nova maneira de agir.

Ele deixa sua Brasília aberta com a chave no contato para fazer coisas rápidas, no comércio ou em casa, apesar de saber que sua atitude pode cooperar com ação a de marginais. “Faz 30 anos que faço assim e tenho confiança que não me tornarei uma vítima.”

Para ele, Boracéia é uma grande família. “Todo mundo se conhece. Se ocorre um furto, pode ter certeza que é gente de fora da cidade. Além do mais, só deixo o carro aberto com a chave no contato quando vou fazer alguma coisa que não demora mais do que dois minutos”, confessa.

Sinal de perigo

O período do ano mais crítico para a segurança dos moradores de Boracéia é durante a Festa do Peão que tradicionalmente acontece no mês de maio. Nos quatro dias de duração do evento, o efetivo da PM quadruplica, informa o subtenente. “A cidade chega a receber de três a quatro mil visitantes por dia.”

Como os visitantes chegam de diversos municípios, é preciso atenção redobrada. “Os últimos dois furtos de veículos aconteceram durante o evento em 2004. A partir daí, a população adota cuidados básicos e as ocorrências se limitam a desentendimentos e lesões corporais leves”, comenta Melnek.

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Lição aprendida

A solução caseira mais inusitada adotada pela PM durante a campanha se tornou exemplo. Para mostrar aos motociclistas que basta alguns segundos para que um furto aconteça, eles adotaram uma tática diferenciada. Pegaram a chave e o capacete de uma moto e levaram para a base da PM.

Quando o proprietário dos objetos descobria e ia prestar queixa na polícia, a chave e o capacete eram devolvidos, mas com uma série de recomendações.

O susto valeu para Fábio César Marostiga, 18 anos, que confessa que nunca mais deixou sua moto estacionada em frente à sua casa com a chave e o capacete. “Eu entrei apenas para trocar de roupa e achei que não tinha perigo.”

Ao retornar, Marostiga constatou que estava com a moto, porém, sem a chave e o capacete. “Inicialmente achei que era uma brincadeira de alguns meninos que estavam na rua. Mas ao questioná-los fiquei sabendo que os objetos tinham sido levados pela polícia.”

Depois da devolução, Marostiga confessa que aprendeu a lição. “A moto fica na garagem, sem a chave e o capacete. Não esqueci o susto que levei. Entendi que o veículo tem valor e poderia ter sido levado por um ladrão.”

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