Nacional

Segundo filósofa, a curiosidade das pessoas é saber até onde vai a maldade

Folhapress
| Tempo de leitura: 1 min

São Paulo - A curiosidade das pessoas é saber até onde vai a maldade humana. É o que diz a filósofa Dulce Maria Critelli, professora da PUC-SP, para tentar explicar por que o julgamento de Suzane e dos irmãos Cravinhos desperta tamanho interesse.

Segundo ela, o senso comum relaciona a violência a motivações econômicas, como a miséria e a pobreza. “É tudo o que Suzane, uma garota bonita e bem-nascida, não realiza. O que justifica o caso dela é o oposto do que alimenta nossa crença. E a maldade do ato fica mais visível”, afirma: “Assim, as pessoas querem evitar que isso se reproduza e pedem uma punição exemplar”.

Para o psicanalista Jacob Pinheiro Goldberg, que já exerceu a advocacia criminal durante 15 anos, é o inusitado desse crime que confunde as pessoas. “É difícil explicar o comportamento dela. Essa falta de nexo provoca uma derivação para a culpa, porque, para o coletivo, alguém tem que ter culpa e deve ser executado para aplacar a ânsia do grupo social”, afirma Goldberg, que é autor do livro “Cultura da Agressividade”.

Para ele, Suzane acabou rompendo um tabu social ao agir de forma a planejar a morte de seus pais. “Todos temos no inconsciente uma reação de amor e ódio conjugados. Mas nos recalcamos, temos censura. Ela jogou o campo da fantasia no concreto. E aí as pessoas ficam em pânico, pensando: ‘Se ela, que teve todas oportunidades na vida, agiu assim, até onde eu iria num surto demencial?’ E isso nos assusta”, afirma.

Cerca de 5 mil pessoas se inscreveram no site do Tribunal de Justiça para acompanhar o júri. Foram 80 vagas sorteadas. O Superior Tribunal de Justiça manteve ontem a decisão de proibir a transmissão ao vivo do júri.

Comentários

Comentários