Brasília - Último dos deputados envolvidos no escândalo do mensalão a ser julgado pela Câmara, o ex-líder do PP José Janene (PR) deve ter a cassação do mandato pedida amanhã pelo relator de seu processo no Conselho de Ética, Jairo Carneiro (PFL-BA). Se houver pedido de vista, o que é provável, Janene deverá ser julgado pelo conselho na próxima semana, com tendência de o parecer de Carneiro ser confirmado.
Janene é acusado de ter recebido, por meio de seu então assessor João Cláudio Genu, R$ 4,1 milhões do esquema montado por Marcos Valério e o ex-petista Delúbio Soares. O pepista nega ter recebido o montante.
Afastado do mandato para tratar uma cardiopatia grave, o deputado, que já havia pedido aposentadoria da Câmara, será julgado à revelia. Janene vem protelando há meses seu depoimento. A maioria dos integrantes do conselho avalia, no entanto, que tudo não passa de manobra protelatória, já que o deputado sofre da doença desde 1995 e nem por isso deixou de exercer o mandato parlamentar. Na semana passada, ele alegou não ter condições de saúde e cancelou seu depoimento no conselho.
Aprofundamento
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) encaminhará hoje à Procuradoria-geral da República uma notícia-crime contra Lula, em que pedirá o aprofundamento das investigações do escândalo do mensalão. O presidente da entidade, Roberto Busato, afirmou que a OAB “saiu do campo político e foi para o campo jurídico”.
A OAB havia desistido de pedir o impeachment de Lula. De acordo com o advogado, que deu declarações por sua assessoria, o documento vai se basear em denúncias que já surgiram contra Lula. A decisão da OAB vem a apenas quatro meses das eleições, mas Busato descartou correlação com o calendário eleitoral.