Bagdá - Um grupo de homens armados usando uniformes da polícia seqüestrou ontem 50 funcionários de uma companhia de transportes de Bagdá, informou o Ministério do Interior.
Segundo a polícia, os homens foram até o bairro de Al Salhiya, que concentra várias empresas, e ofereceram transporte aos trabalhadores para a Síria e a Jordânia. Cerca de 50 pessoas - entre elas dois cidadãos sírios - foram capturadas sob a mira de pistolas.
Os reféns foram levados para local desconhecido. As causas do seqüestro não foram divulgadas, mas ondas de seqüestro em comércios são freqüentes no Iraque. Os seqüestros aconteceram um dia depois que líderes iraquianos falharam em chegar a um acordo a respeito dos nomes para o Ministério da Defesa e do Interior.
O premiê iraquiano, Nouri al Maliki, enfrenta uma grave crise na ocupação dos principais postos de segurança iraquianos, enquanto tenta estabilizar o país.
Na semana passada, Maliki declarou estado de emergência em Basra (sul do Iraque) para combater a crise na segurança causada pela disputa entre facções xiitas rivais. Centenas de pessoas foram seqüestradas nos últimos meses no Iraque, muitas das quais foram executadas por seus seqüestradores.
Ataques
Ao menos 27 pessoas morreram ontem em todo o país - entre elas, 11 estudantes assassinados por homens armados no sul de Bagdá e outros cinco mortos na explosão de um morteiro em Ramadi (oeste).
Em Bagdá, outros sete corpos foram encontrados com sinais de tortura e com marcas de tiros na cabeça e no peito em duas regiões.
Seis dos mortos foram encontrados no bairro de Al Doura, no sul da Capital, enquanto o sétimo corpo - de um suposto membro da milícia xiita de Al Badr - foi encontrado em uma área no sudoeste de Bagdá. Ontem, novos protestos foram registrados no país.
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Julgamento
Bagdá - Também ontem foi retomado o julgamento do ex-presidente iraquiano Saddam Hussein. Durante a sessão - a 32ª do processo -, a defesa protestou contra a detenção de quatro testemunhas da defesa por suspeita de perjúrio. Em seguida, o juiz que preside o julgamento, o curdo Raouf Rashid Abdel Rahman, adiou o julgamento para a próxima segunda-feira.
Entre os quatro detidos, estava uma testemunha que afirmou perante o júri que algumas das 148 vítimas do massacre em Dujail ainda estariam vivas. As identidades das outras três testemunhas não foram divulgadas, mas as detenções aconteceram após a sessão da última quarta-feira, durante a qual uma testemunha acusou o promotor-chefe do julgamento, Jaafar al Moussawi, de tentar suborná-lo para que testemunhasse contra Saddam.