A terceirização da coleta de lixo pela Prefeitura de Bauru coloca o prefeito Tuga Angerami (sem partido) e seu vice, Renato Purini (PMDB), em visível posição antagônica, próximo do atual governo completar apenas um ano e meio de governo. A retrospectiva das argumentações em torno do futuro do serviço da coleta de resíduos, desde janeiro de 2005, evidencia mudança de posições e conflito de gestão política administrativa do vice em relação ao titular.
Com posições distintas sobre o serviço, hoje ainda executado pela Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb), Renato Purini tenta ponderar sobre a diferença de foco na avaliação sobre o tema, apesar dos bastidores deixarem claro seu descontentamento com a postura do chefe do Executivo em relação ao enfrentamento do problema, desde o início do mandato.
A história do lixo começa antes da posse, em plena campanha eleitoral. Depois, passou a disputa nas urnas e veio o anúncio da operação emergencial do serviço de coleta, que seria executado pela empresa Marquise. Na época, o recém-empossado presidente da Emdurb anunciou que a precariedade da frota, a fragilidade na execução dos serviços de coleta e a impossibilidade de investimentos no setor justificavam um contrato de emergência.
Nos corredores das Cerejeiras, tem-se que Tuga Angerami apoiou, inicialmente, a medida. Mas o olfato de Renato Purini em relação à operação do lixo começou a assimilar alterações desde então, quando o chefe do Executivo não pôde, por exemplo, compartilhar do anúncio do contrato de emergência. Na véspera da notícia, outro indicador: não por acaso a entrevista coletiva mudou de endereço, do Palácio das Cerejeiras para a Emdurb. E, minutos antes do anúncio aos jornalistas, Tuga não compareceu.
A ausência no ato de apoio público à terceirização, na época, seria detalhe, mas não para Purini, que se viu, em seguida, obrigado a recuar na contratação por emergência. Antes, entretanto, o vice teve de enfrentar, novamente sozinho, platéia composta de resistentes à terceirização e de adversários políticos em audiência pública que lotou o auditório da Universidade do Sagrado Coração (USC).
Com os avisos vindo por detalhes, a questão é que o presidente da Emdurb viu, logo depois, a terceirização sendo adiada para aguardar a realização de “raio X” completo na empresa municipal, através de auditoria. Enquanto os caminhões de lixo “trombavam” na oficina da Emdurb por deficiências na manutenção, a auditoria contratada junto à Fundação para o Desenvolvimento da Unesp (Fundunesp) trouxe, no segundo semestre, informações e números frágeis, longe do “raio X” anunciado no início do ano e com o desembolso, até hoje sem justificativa, de quase R$ 70 mil.
Em 2006, Tuga anunciou que o serviço do lixo vai sair das mãos de Purini, enquanto este agora defende que a coleta continue com a Emdurb. A matéria ao lado mostra alguns dos indicadores dessa alteração de comportamento.