Em janeiro de 2005, Renato Purini assumiu a terceirização e anunciou contrato de emergência, com Tuga apoiando medidas saneadoras na Emdurb, mas exigindo, antes das ações, a abertura das contas da empresa. Em janeiro de 2006 o foco mudou. Tuga se antecipou a Purini e falou à imprensa de sua determinação em terceirizar o serviço de coleta de lixo, mesmo com reações contrárias. A fragilidade no serviço e o volume de dívidas da Emdurb continuaram sendo o mote dos argumentos.
Mas o conflito, então, se estabeleceu quando o vice-prefeito passou a defender a recuperação paulatina da empresa, com a manutenção do serviço de coleta de lixo. A afirmação só veio após a Justiça do Trabalho suspender, através de liminar, o edital de terceirização. Mas mudou o janeiro e, sem o edital em suas mãos, Purini passou a massificar ações de saneamento da Emdurb como alavancas para tentar mostrar que o serviço de coleta poderia ficar sob sua responsabilidade.
Mas o pano de fundo da questão pode ser levantado por pelo menos outros dois indicadores. Por razões que só o processo eleitoral pode desvendar, Purini vê agora o anúncio de que a gestão do lixo será tirada de sua mãos, com Tuga afirmando que, a partir de agora, o edital de licitação será realizado pela Prefeitura. Na mesma fase, há algumas semanas, caiu o diretor de Limpeza Pública da Emdurb, Jorge Monteiro, parceiro da dupla Tuga-Purini desde a corrida eleitoral e principal articulador também do processo de terceirização. Até hoje, o silêncio de Monteiro incomoda.
Para o chefe de Gabinete, Paulo Sérgio Canalli, a falta de alternativa à solução das dificuldades no serviço de coleta exige que o prefeito resolva o problema. “O prefeito não mudou de posição, continua a Emdurb deficitária, sem condições de investir na substituição da frota ultrapassada por caminhões novos e com a coleta atendendo a apenas 60% da cidade. Se a licitação não pode ser feita pela Emdurb, então o Executivo assume o edital”, resume.
Já Purini repete que o custo operacional da Emdurb caiu. “O custo da empresa hoje é menor do que em 2005, nós fizemos 110 demissões e reduzimos a estrutura, economizando R$ 130 mil por mês. Acertamos as escalas da coleta e hoje temos caminhões de reserva parados à noite. Temos condições de tocar o serviço e, com a correção do valor da tonelada do serviço o equilíbrio se mantém”, ressalta, apesar de reconhecer que a questão central continua sendo os milhões da dívida herdada das gestões passadas na Emdurb.
Ainda nesta semana, está previsto que Purini e Tuga voltarão a se reunir para discutir a adequação dos custos dos serviços. Purini não fala publicamente, mas a economia de R$ 130 mil foi por água abaixo com a transferência da despesa de R$ 70 mil mensais do vale-compra da prefeitura para a empresa e a majoração da folha a partir dos 5,03% de reposição salarial executados pelo Executivo.
O esforço do saneamento se esvaiu e agora o vice ainda corre o risco de ter a gestão do lixo tirada de suas mãos. Com ela, lá se vai o tema para baixo da marquise estrutural do governo, este sim o foco do incêndio ainda a ser evitado pelo governo.