Bairros

Atendimento demora e mãe quebra porta de vidro do PS Infantil

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 4 min

O Pronto-Socorro (PS) Infantil de Bauru passou por momentos de tensão ontem à tarde. Uma mãe com o filho de 7 meses no colo quebrou o vidro da porta de acesso à ala de atendimento médico, segundo informaram pacientes e funcionários que estavam no local. A dona de casa Fernanda Trípodi chegou à unidade por volta das 14h, quando abordou a enfermeira que estava na portaria, dizendo que seu filho precisava de um atendimento de urgência. A profissional, após observação, constatou que o caso não era grave como supunha a mãe, e, por isso, pediu a ela que aguardasse na fila de espera com os demais pacientes.

Fernanda, conforme informações do Pronto-Socorro Infantil, ficou exaltada e com um murro, quebrou o vidro da porta. Sua irmã, Fabiana Hortência Trípodi, que também esperava para consultar o filho de 2 meses, estilhaçou outro vidro com um chute.

“Eu não sabia que ela (Fernanda) estava lá. Ouvi a porta sendo quebrada e fui ver, quando encontrei minha irmã. Sem querer, chutei a porta, mas não o vidro. Mesmo assim, meu pé pegou no vidro e eu acabei cortando a minha perna. Ela (Fernanda) cortou o braço”, conta Fabiana. Ela ainda explicou que uma médica teria pego sua irmã pelos braços e a colocado para fora da ala de atendimento. Por conta disso, diz Fabiana, sua irmã Fernanda atacou a porta.

O marido de Fernanda, Roberto Carlos Fagundes, diz que ela tentou conversar com o médico. Além de não permitirem, empurraram a porta e, para não ser atingida, tentou segurá-la com o braço, porém o vidro acabou quebrando.

“Mesmo assim, ela não conseguiu atendimento. Fomos para o (Hospital) Estadual (HE), onde meu filho ficou internado. Desde sábado passado estamos levando o bebê no pronto-socorro. Mas os remédios receitados não estavam fazendo efeito”, completa Fagundes.

Fernanda foi procurada pelo JC, mas como estava com o filho no HE, não pôde dar entrevista. De acordo com o pediatra Pedro Martins, que consultava no momento do incidente, Fernanda quebrou a porta propositalmente.

“Ela quis entrar ao salão de espera do Pronto-Socorro e a enfermeira não permitiu fechando a porta. Por isso, começou a esmurrar , até que um vidro quebrou. Uma outra senhora que estava com ela, deu um chute na parte inferior da porta e quebrou mais um vidro. Não contentes, saíram esmurrando todos os vidros, que por sorte não quebraram”, conta o médico. Ainda segundo ele, cerca de 70 pessoas esperavam por atendimento quando começou o tumulto.

Martins também informou que o filho de Fernanda, após o incidente, foi atendido pela médica Regina Santinho, que avaliou que o estado da criança não era grave. O quadro era de diarréia, o qual, de acordo com ele, pode levar até sete dias para ser sanado. Por conta disso, ressaltou o médico, os pais estavam procurando o Pronto-Socorro com freqüência nos últimos quatro dias.

Logo após o incidente, o atendimento médico ficou paralisado e só foi retomado cerca de 40 minutos depois, com a chegada da Polícia Militar. Nesse intervalo de tempo, o número de pacientes à espera de atendimento foi aumentando. Em conseqüência disso, as reclamações se generalizaram. Muitas pessoas, às 21h, esperavam por consulta desde às 15h.

Maria Lúcia de Oliveira, enfermeira encarregada de plantão do PS Infantil, informou que quatro pediatras atendem por período no PS Infantil. Ela disse que considera o número suficiente para a demanda diária que a unidade recebe. “Não sei o que aconteceu hoje (ontem), que o número de pacientes foi além do normal”, analisa. A enfermeira também disse que, pelo menos, 30% dos casos que chegam ao PS poderiam ser resolvidos em casa e 40% nas unidades básicas de saúde.

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Desabafo

O pediatra Pedro Martins disse que, apesar de todo o tumulto gerado pela manifestação dos pacientes, não condena a atitude da mãe. Segundo ele, o Pronto-Socorro Infantil de Bauru não oferece estrutura mínima para os médicos atenderem os pacientes com precisão e, sobretudo, qualidade.

“Faltam médicos e condições de trabalho para a gente. Porém, os pediatras não vêm para Bauru porque o sistema de saúde do município tem má fama. Ninguém é louco de vir. Nós temos baixos salários, talvez os menores da região, a menor condição de trabalho e somos um número pequeno. Quem vai se submeter a passar por isso?”, questiona.

Para ele, a Prefeitura tem de tomar medidas de curto prazo que possam minimizar os problemas de atendimento médico à população. “Infelizmente, tem se batido numa tecla completamente errada, que é a realização de concursos públicos para atrair pediatras. É um processo muito demorado, que não faz diferença neste momento”, completa.

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