Königstein - A Seleção Brasileira realizou um treino tático ontem em Königstein, na Alemanha. Sem nenhuma marcação, a atividade consistia em movimentar a bola a partir de Émerson, com os meio-campistas posicionados normalmente, fazendo trocas de passes até a altura do gol. Os goleiros e os zagueiros não participaram do treinamento, que utilizou apenas meio campo e tinha como objetivo melhorar a saída de bola do time.
Apesar de a Seleção Brasileira não costumar fazer treinos desse tipo, essa é uma prática bastante comum entre times de futebol, para melhorar o entrosamento entre os jogadores da intermediária.
Hoje, a Seleção faz um treino aberto, por exigência da Fifa, no estádio do Kicker’s Offenbach, a 40 km de distância de Königstein, cidade onde fica a concentração do Brasil. Os brasileiros não gostaram das condições em que encontraram o gramado que será utilizado no único treino do Brasil aberto ao público na Alemanha. “Se pudéssemos escolher, não deixaríamos (Königstein)”, declarou ontem o coordenador técnico Zagallo. “Não há comparação”, continuou o assistente de Parreira no comando da Seleção.
Embora descontentes, atletas e comissão técnica serão obrigados a realizar o treino de hoje no estádio de Offenbach porque é o único próximo a Königstein com capacidade para acomodar os milhares de fãs que aguardam a sessão de treinamento.
“Solicitaram (a organização da Copa) que fizéssemos um treino aberto ao público e nós sabemos que a Seleção Brasileira irá atrair muita gente”, disse o supervisor Américo Faria ao justificar a troca de Königstein, cujo estádio comporta cerca de 800 pessoas, por Offenbach, onde o Comitê Organizador do Mundial estima que 25 mil pessoas assistam ao treino.
A entrada no estádio será franca, mas os torcedores deverão portar uma espécie de tíquete para poderem acompanhar a Seleção Brasileira. Em Weggis, onde esteve treinando até o último domingo, o Brasil atraiu aproximadamente 45 mil torcedores para as suas atividades, sempre abertas ao público.
Incentivo
Para quem estava acostumado com os berros e palavrões de Vanderlei Luxemburgo e Luiz Felipe Scolari, os treinos comandados pelo técnico Carlos Alberto Parreira são uma sinfonia para os ouvidos.
Ontem à tarde, Parreira ensaiou por quase uma hora os titulares em jogadas ofensivas sem se esgoelar ou apelar para palavras grosseiras. O treinador quase sempre incentivava os atletas. Quando tinha que chamar a atenção dos titulares, Parreira chegava perto do titular e dizia: “Kaká, você tem que tocar a bola logo. Vamos lá”, disse o técnico.
Em alguns momentos, Parreira tinha que aumentar o tom de voz para ser ouvido pelos outros jogadores, mas sempre com educação. “Quero que a bola chegue no Ronaldinho mais rápido”, dizia o treinador, aos volantes Émerson e Zé Roberto.
Dentro do campo, Parreira tem um estilo sóbrio. Nos jogos, ele reclama também pouco da arbitragem e quase não levanta do banco de reservas. Parreira foi poucas vezes expulso durante o jogo.
O estilo Parreira é o oposto do dos seus antecessores. Na Copa passada, Scolari abusou do estilo cênico nos treinos na Coréia do Sul. Já no primeiro treino tático em Ulsan, Scolari berrava com os jogadores e não parava de gesticular e fazer caretas a cada erro dos titulares.
Além dos palavrões, o treinador não poupava os jogadores das broncas. Até Rivaldo, Ronaldo e Cafu ganharam cobranças públicas.
Luxemburgo também fazia o mesmo estilo. No Pré-Olímpico de Londrina, em 2000, o treinador foi flagrado xingando jogadores por microfones colocados próximos ao banco de reserva. Ronaldinho e Alex jogavam naquela Seleção e não foram poupados dos berros do técnico. Nos treinos, Luxemburgo também se excedia. Apesar do temperamento explosivo dos dois antecessores de Parreira, os jogadores avaliavam como normal o excesso de broncas e palavrões durante o coletivo.
“Essa é a forma de ele se expressar. Ele tem o direito de nos xingar. Além disso, não nos desrespeitou”, disse Rivaldo sobre Scolari, em 2001, após um treino na Granja Comary (Teresópolis) antes de um jogo contra a Argentina, pelas eliminatórias.
O lateral Cafu chegou a declarar que os palavrões gritados pelo técnico gaúcho serviam como um “incentivo” para os jogadores.
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Nas nádegas
Um acontecimento inusitado marcou o treinamento da Seleção Brasileira ontem. Ronaldinho Gaúcho foi atingido nas nádegas por um elástico quando praticava arrancadas no treino físico, em Königstein. Usada no treinamento, a peça acabou não resistindo. O jogador do Barcelona caiu no chão após o impacto.
Depois, levantou-se e abaixou o calção para que Robinho avaliasse a extensão do ferimento. Acabou atendido pelo departamento médico da Seleção, que passou uma pomada no local. Após o incidente, Ronaldinho - bastante ironizado pelos colegas - voltou a treinar normalmente.