Regional

Martinão não depõe na Câmara e nem no MP

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 3 min

Piratininga – O prefeito afastado de Piratininga Mauro Martinão (PSDB) não prestou depoimento ontem na comissão processante (CP) da madeira apresentando um atestado médico que o libera por 15 dias do compromisso político. Com isso, Martinão ganha tempo e emperra o andamento das CPs, que ao todo já são cinco.

Anteontem, a Câmara Municipal de Piratininga aprovou as comissões do sistema integrado de resolução do lixo urbano e da construção de consultórios odontológicos, ao lado do Centro de Saúde.

Usando o mesmo artifício do atestado médico, Martinão escapou ontem também de prestar esclarecimentos ao promotor de Justiça Daniel Passanezi Pegoraro.

É de Pegoraro a acusação contra o prefeito afastado pelo pagamento integral da obra do sistema integrado de resolução do lixo urbano que ainda não foi concluída. No último dia 31 de maio, o MP entrou com ação civil pública contra Martinão, agora pela obra de construção de consultórios odontológicos sem licitação pública.

O vereador Zé Gorginho (PSDB), membro da CP da madeira, havia intimado o prefeito na última segunda-feira para depor ontem, às 18h30. Antes, o prefeito afastado protocolou o atestado médico no Legislativo Municipal.

O vereador insiste na tese de que Martinão tem que ser ouvido primeiro, antes das testemunhas. “O denunciado e o denunciante têm que ser ouvidos primeiro. Só se o jurídico (da Câmara) me confirmar por escrito que podemos ouvir as testemunhas antes dele”, insiste.

A CP da madeira, que investiga a compra irregular de um carregamento de madeira pela prefeitura, está travada. Instalada no dia 18 de abril, com quase dois meses, a CP da madeira caminha vagarosamente tendo pouco apurado da denúncia.

Em julho, os vereadores devem finalizar os trabalhos, porém já circula nos bastidores políticos a informação de que não se conseguirá completar as investigações no prazo de 90 dias. Isso está sendo entendido como subterfúgio, favorável a Martinão, para que se prorrogue por mais 90 dias os trabalhos da CP.

“Do jeito que está indo, tenho certeza de que vamos pedir mais prazo. Porque do jeito que estão querendo vai atropelar”, adianta Zé Gordinho.

Agora, os membros da CP da madeira, presidida pela vereadora Maria Helena Salles Storniolo (PL), vão discutir a forma de dar andamento às investigações.

Zé Gordinho é defensor da tese de que as apurações das três CPs estão atropeladas e agora também as duas novas comissões serão contaminadas. Ele foi o único voto contrário à criação das duas novas CPs anteontem. Zé Gordinho criticou, ontem, de forma veemente a maneira como se deu a aprovação das duas novas comissões.

Ele questiona como que o vereador suplente Edenaldis Rojas Bragitz pôde tomar ciência de mais de 500 páginas do pedido de intalação de CPs em apenas quatro horas. Também pondera sobre como o vereador Jair Gonçalves Guedes Jr. (PDT) foi o proponente dos pedidos de CPs se não poderia votar. Bragitz assumiu de última hora para participar da discussão. “Dá mais de 500 folhas e como uma pessoa que é suplente vai votar um ‘sim’ ou ‘não’ recebendo um documento às 16h e tendo que votar às 19h30. Ele nunca participou da Casa e vindo (documento) do promotor público, ele pensa que já é condenação, e não é”, questiona.

O JC tentou contato ontem com a assessoria jurídica de Martinão, mas não houve retorno telefônico até o fechamento desta edição.

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