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Tiroteio fere 17 crianças em escola

Por Raphael Gomide, Talita Figueiredo e Italo Nogueira | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Rio - Quando as mães chegaram ontem à escola municipal Henrique Foréis, no morro da Fazendinha (complexo do Alemão, zona norte do Rio), a cena era de pânico: todas as crianças choravam, muitas escondidas debaixo das carteiras com medo de sair. Além da gritaria, havia sangue espalhado nas carteiras escolares, paredes e roupas. Como resultado, 17 crianças, de acordo com a prefeitura, ficaram feridas por causa de tiros supostamente disparados por traficantes que tentavam atingir policiais militares (PMs) que estavam no local. Alguns moradores, no entanto, acusam a polícia de ser a responsável pelos tiros.

As balas atingiram o muro, furaram as paredes e janelas da escola. O comandante do 16.º Batalhão de Polícia Militar (BPM), José Nepomuceno, informou que os PMs foram à favela checar denúncia de que ali haveria caminhões e carros roubados. Os caminhões não foram encontrados, mas a polícia começou a checar a procedência de algumas motos que estavam próximas à escola. “Os policiais chegaram a revistar a casa de um desses motociclistas. Quando saíam da casa, foram atacados por traficantes. Eles não tiveram nem tempo, nem ângulo para revidar. Uma testemunha confirmou as informações da PM”, informou o delegado Eduardo Freitas, que investiga o caso.

O delegado enviou à escola uma equipe de peritos, mas a escola estava trancada. “Tentei várias vezes falar com a diretora da escola, mas ela não respondeu. Agora a perícia vai ter que ser feita hoje. Só assim teremos a certeza de onde vieram os tiros”, disse.

Hoje serão feitas buscas ao traficante Tota, chefe do tráfico no morro da Fazendinha, que é dominada pela facção criminosa Comando Vermelho (CV). Segundo o delegado, Tota tem fama de ser “sanguinário”.

A menina Raquel Cardoso, 8 anos, ferida de raspão no braço direito estava na sala de aula, fazendo a lição, na hora do tiroteio. “A tia mandou todo mundo abaixar. Fiquei com muito medo, foram muitos tiros. Chorei até a hora da minha mãe chegar no hospital”, contou.

Aluna da 2.ª série, a menina disse acreditar que o tiro que a feriu atingiu também sua amiga, Raquel Ferreira, baleada no braço esquerdo. “Ela estava do meu lado, aí a bala bateu no braço dela e depois raspou no meu”, contou. Uma prima de Raquel, que não quis se identificar, disse ter ido à escola buscar a sobrinha. Nunca iria imaginar a cena que encontrou. “O tiroteio começou na favela, mas não nos preocupamos com as crianças, que estavam na escola. Acabaram os tiros e fui buscar minha sobrinha, com medo de retaliações ou do comércio fechar. Quando cheguei à escola, a cena era de terror. Todos encolhidos, chorando, gritando. Minha sobrinha não se machucou, mas estava apavorada, suja do sangue de uma colega. A menina não quer voltar na escola”, disse.

A Secretaria Municipal de Educação divulgou em nota ontem que a escola tem 306 alunos, entre seis anos e 14 anos. Os atingidos foram encaminhados para o posto de saúde de Del Castilho, que mobilizou oito médicos de várias especialidades para atender as crianças. Oito crianças precisaram ser transferidas para o Hospital Salgado Filho.

Cinco passaram por cirurgias e continuavam internadas até a conclusão desta edição. Uma delas foi transferida para um hospital particular em Cascadura. Os outros foram liberados. Moradores informaram que outras cinco crianças feridas não foram para hospitais e receberam atendimento no local. A PM solicitou que a escola não abra hoje nem para limpeza, para não prejudicar a perícia e proteger os alunos. No entanto, a secretaria informou que a escola funcionará normalmente e as aulas dependerão apenas da presença das crianças.

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