Política

Doação eleitoral acirra crise do lixo

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 4 min

Depoimentos recebidos pelo JC nos últimos dias dão conta de que a crise em torno da terceirização do lixo, que se arrasta há um ano e meio, teve origem em uma suposta contribuição financeira de até R$ 400 mil à campanha eleitoral vencida pela aliança Tuga-Purini, em 2004.

O atual conflito, explicitado anteontem pelo JC, teria relação com este compromisso financeiro de campanha, assumido em reunião, em São Paulo, antes da eleição, com as presenças de Tuga Angerami, do vice, Renato Purini, e de Jorge Monteiro, este exonerado no início do ano da Diretoria de Limpeza Pública da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano Rural (Emdurb). Pessoa diretamente ligada à coordenação de campanha fez as revelações sigilosamente ao JC.

As ações para a busca de recursos para a campanha ao Palácio das Cerejeiras, revelam os colaboradores da aliança ouvidos pela redação, apontam para reuniões que tiveram início em encontros em São Paulo, através de um intermediário da empreiteira Marquise, que teriam culminado com mais de uma remessa de valores em dinheiro, ao longo do período eleitoral. Em algumas das reuniões, Purini e Monteiro estiveram juntos, conforme apurou o jornal.

A expectativa levantada ontem pela oposição é que o prefeito prefeito Tuga Angerami (sem partido) explique hoje, em reunião anunciada pelo Executivo para às 16 horas, no Palácio das Cerejeiras, se a Marquise fez ou não contribuição à sua campanha eleitoral na época, conforme as informações que chegaram ao JC.

Ainda de acordo com o que o JC apurou, ao discutir a crise de relacionamento motivada por uma mudança de postura do vice, Renato Purini, em relação ao prefeito Tuga Angerami na questão do lixo, surgem os indicadores da origem do assunto ainda no período eleitoral. Um dos elementos apareceu com a exoneração, sem maiores explicações, do ex-diretor de Limpeza Pública da empresa, Jorge Monteiro, no início do ano, apesar dele ter participado da aliança e acompanhado passos importantes do grupo durante a eleição.

Neste momento, Monteiro encontra-se fora do governo. Na semana passada, o próprio Purini discutiu a situação do ex-diretor de Limpeza Pública da Emdurb com o chefe do Executivo.

Entre os depoimentos colhidos pela reportagem estão informações sobre tratativas de colaboração financeira para a campanha de 2004, cujos dados não estão mencionados na prestação de contas do então candidato a prefeito, da coligação e nem do vice, Renato Purini. O vice, por sua vez, diz que não movimentou sua conta destinada a este fim, conforme exige a legislação, no período. Mas ele não desmente participação, junto com Monteiro, em ações visando levantar fundos para que as despesas eleitorais do grupo fossem suportadas, na época.

Conforme o apurado pelos depoimentos que o JC possui, após algumas reuniões, a contribuição teria sido fechada através de um intermediário com acesso à empreiteira do ramo de lixo, na Capital do Estado, com a presença do então candidato Tuga Angerami, do vice em sua chapa, Renato Purini, e de Jorge Monteiro, em pelo menos uma reunião, a que levou ao desfecho da suposta contribuição.

Esta reunião para “o aperto de mãos” teria ocorrido em hotel da Capital, conforme informado ao jornal, ainda durante a madrugada, após o candidato Tuga ter cumprido compromisso eleitoral na cidade. Em uma das viagens de carro a São Paulo, o candidato enfrentou maratona exaustiva, depois de participar de debate na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em Bauru.

Repercussão

Ontem, ao repercutir a crise em torno da terceirização do lixo, parlamentares de oposição voltaram a indagar a pendência em torno do serviço e a relação com a empresa Marquise, que teve decreto de emergência anunciado pelo governo, no início de 2005, para assumir o serviço de coleta, cujo contrato não chegou a ser operacionalizado por decisão de Tuga Angerami, em seguida.

Na época, Purini ficou sozinho na defesa da emergência, mas teve de recuar. De sua parte, Angerami vinculou a eventual terceirização à realização de auditoria na Emdurb. Já a partir do início deste ano, o chefe do Executivo afirmou que a transferência do serviço para a iniciativa privada era certa, em razão da Emdurb não reunir condições de atender toda a cidade (mas limitado a 60% do lixo produzido), das dívidas e do sucateamento da frota sem condições de investimento em sua recuperação.

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Tuga nega

O chefe de Gabinete do prefeito, Paulo Sérgio Canalli, afirmou ontem à noite que não houve contribuição financeira da empreiteira Marquise à campanha eleitoral de Tuga Angerami, em 2004.

Segundo ele, Angerami informou que todas as doações foram declaradas à Justiça Eleitoral, com contabilização junto às contas do então candidato e da coligação que venceu a disputa.

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