Nacional

Varig pode ser vendida para funcionários

Por Clarice Spitz | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Rio - O Trabalhadores do Grupo Varig (TGV) fez oferta de R$ 1,010 bilhão (US$ 449 milhões) e pode comprar a Varig. Nas duas etapas do leilão realizado ontem no Rio de Janeiro, essa foi a única proposta oficial. A Justiça, no entanto, tem24 horas (ou seja, até hoje) para analisar a oferta e decidir se é válida.

O valor representa pouco mais da metade do preço mínimo de US$ 860 milhões fixado pela Justiça para a venda da parte operacional da Varig, que inclui as linhas domésticas e internacionais. O dinheiro, no entanto, será insuficiente para pagar os credores da empresa, que têm dívidas estimadas em R$ 7,9 bilhões.

Além disso, a associação de trabalhadores tem créditos a receber da empresa aérea e vai utilizar esses recebíveis para pagar pela Varig, reduzindo o montante que sobrará para os demais credores. O montante de R$ 1,010 bilhão é dividido em R$ 225 milhões em créditos, R$ 500 milhões em debêntures e participação no lucro da companhia e R$ 285 milhões em dinheiro. Para que a Justiça confirme a validade do leilão, o TGV deverá comprovar que tem condições de garantir esses pagamentos e também de fazer o aporte necessário para garantir a continuidade dos vôos da empresa. Na segunda etapa, o TGV foi o único a apresentar propostas.

Na primeira parte, ninguém se interessou pela empresa. Responsável pelo processo de recuperação judicial da empresa, o juiz Luiz Roberto Ayoub, da 8.ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, deveria fixar um novo preço mínimo, mas decidiu levar a empresa a leilão de novo sem estipular um piso para a compra. Fontes da Varig divulgaram que cinco empresas teriam interesse na compra. TAM, Gol, OceanAir e Céu Azul (do escritório de advocacia Ulhôa Canto, Rezende e Guerra, que representa um fundo de investimento) chegaram a se credenciar para apresentar propostas, mas não fizeram lances oficiais em nenhuma das duas etapas do leilão realizado ontem.

O desinteresse dessas empresas reflete dúvidas se o comprador da Varig teria mesmo garantias de que não herdará dívidas antigas da empresas aérea, principalmente trabalhistas e previdenciárias. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional chegou a emitir anteontem um parecer favorável à não-sucessão das dívidas, condicionado, entretanto, a que o preço mínimo fosse suficiente para pagar todos os credores.

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