Gaza - Um ataque aéreo israelense matou ontem quatro palestinos no sul da Faixa de Gaza, entre eles uma autoridade ligada às forças de segurança palestinas, informaram testemunhas e fontes médicas. Jamal Abu Samhadana, que também era líder do grupo extremista Comitês Populares de Resistência, foi morto em um campo de treinamento de militantes perto de Khan Younis. Uma porta-voz militar de Israel confirmou a ação, mas disse que o ataque não tinha como alvo algum extremista específico, e sim o campo do grupo.
Outros três membros dos Comitês foram mortos na ofensiva militar e dez pessoas ficaram feridas pelos quatro mísseis lançados no campo de treinamento. De acordo com a polícia, o ataque interrompeu o fornecimento de energia na região, prejudicando o atendimento às vítimas.
Foi a primeira vez que Israel matou uma autoridade indicada pelo governo do Hamas, que assumiu o poder em março, depois da vitória sobre o Fatah. “Israel sabe que Abu Samhadana trabalhava para o governo, e matando-o, eles estão enviando a mensagem de que todos os seus membros, do primeiro-ministro a funcionários subalternos, são alvos de assassinatos”, afirmou Ghazi Hamad, porta-voz do gabinete palestino.
O movimento islâmico radical Hamas, que controla o governo palestino, indicou Abu Samhadana em abril como supervisor do Ministério de Interior, que controla os serviços de segurança.
A decisão irritou o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, que tenta retomar as negociações de paz com Israel desde que o Hamas superou o seu partido, o Fatah, nas eleições de janeiro.
Os Comitês são uma coalizão de grupos extremistas que tem promovido ataques contra Israel desde o início do levante palestino contra a ocupação israelense, há mais de cinco anos.
Depois que Israel retirou suas tropas de Gaza no ano passado, após 38 anos de ocupação, a coalizão tem liderado as ofensivas com foguetes caseiros através da fronteira entre o território e localidades israelenses.