Em clima de Copa do Mundo, os trabalhadores da construção civil - em greve desde o início da semana - esperam uma vitória nesta segunda-feira. Na ocasião, será realizada uma audiência no Tribunal Regional do Trabalho da 15.ª Região, em Campinas, que pode dar fim à paralisação.
A expectativa foi compartilhada ontem pela manhã por cerca de 50 representantes da categoria, que estiveram reunidos num ato de confraternização realizado próximo a uma obra, situada nas imediações do Bauru Shopping Center.
Enquanto sardinhas queimavam na brasa, trabalhadores de verde e amarelo, com bandeiras empunhadas, prometiam radicalizar o movimento, caso o piso da categoria não seja fixado. Para quem tem qualificação ele é, atualmente, de R$ 719,00. Os não-qualificados recebem R$ 585,20. A proposta é de que o valor mínimo suba para R$ 783,40 e R$ 637,00, respectivamente.
“Se não fechar, vamos ampliar o movimento. A maioria (das construturas) fechou acordo direto com o sindicato. Só as grandes, ligadas ao Sindicato das Indústrias da Construção Civil (SindusCon), não. Elas aguardam o dissídio, cuja audiência conciliatória é na segunda à tarde”, explica Cláudio da Silva Gomes, diretor-presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil.
De acordo com ele, dos cerca de 6 mil trabalhadores da construção civil de Bauru, mil continuam em greve. Vários voltaram ao trabalho em função de reajustes, que oscilaram entre 6% e 10% (e superam o piso). A situação será completamente normalizada desde que o valor mínimo pago em Bauru seja equiparado ao da Capital e de outras cidades do mesmo porte, reitera Gomes.
No entanto, para o diretor regional do SindusCon, Ralph Ribeiro Júnior, a situação já foi normalizada durante a semana.
“Não foi uma greve dos trabalhadores porque a adesão foi extremamente baixa. O piso (que o sindicato reivindica) é superior ao da Capital. Vai trazer desemprego e informalidade. Mas é o Judiciário quem decide”, afirma. Ralph ressalta que o SindusCon também atua em favor dos trabalhadores.