Bairros

Há 2 anos sem atingir meta, Bauru investe na vacina contra pólio

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 2 min

Hoje Bauru participa da Campanha Nacional de Vacinação contra a Paralisia Infantil com uma meta: após dois anos, conseguir imunizar 95% das crianças com menos de 5 anos. Desde 2004 que a cidade não atinge o índice recomendado. Nas duas últimas campanhas, realizadas em junho e agosto do ano passado, a imunização atingiu 88,7% e 90,23%, respectivamente. Entre as hipóteses levantadas para o baixo índice, estão o aumento da vacinação em clínicas particulares e uma tranqüilidade indevida com a ausência de casos da doença no Brasil. Para tentar atingir a meta, a prefeitura investe em brincadeiras, show com banda e até corte de cabelo gratuito.

De acordo com a enfermeira Solange Cardoso, da Seção de Imunização do Departamento de Saúde Coletiva, muitos pais preferem vacinar seus filhos em clínicas particulares. Nestes casos, a imunização é feita com uma vacina chamada Salk. Segundo Cardoso, essa vacina protege a criança contra a doença, mas não tem a mesma ação da Sabin, que será administrada hoje nas cerca de 25 mil crianças com até 5 anos na cidade. A poliomielite não é registrada no Estado de São Paulo desde 1988. No Brasil, o último caso registrado foi um ano depois, na Paraíba.

“Ela confere imunidade para a criança, mas não faz uma barreira”, conta. A enfermeira explica que a o vírus vacinal contido na Sabin, depois de agir no organismo, vai para o intestino e acaba saindo pelo esgoto. Dessa forma, ela cria uma proteção no ambiente. “Os pais que pagam estão com os filhos seguros. Mas a campanha é suplementar e ajuda a proteger toda a comunidade”, esclarece Cardoso.

Para tentar melhorar o índice de cobertura desse ano, a enfermeira conta que o departamento fez uma campanha com pediatras para que eles incentivem as mães que já imunizaram seus filhos com a Salk a participarem da vacinação de hoje.

Norberto Rodrigues Santos, morador da Pousada da Esperança 2, conta que seus três filhos estão com a carteira de vacinas em dia. A mais velha, Ana Carolina, com 6 anos, não precisará ir até o posto de saúde da Vila São Paulo, onde os irmãos Antony Samuel, 4 anos, e Pedro Henrique, 6 meses, participarão da campanha. “Amanhã (hoje) minha esposa vai levar os dois menores para o posto. É muito importante deixar as crianças com as vacinas em dia para não dar nenhum problema“, conta.

Vivian Tavares da Silva já se programou para levar sua filha Samira, de 3 meses, para o posto do Mary Dota. “Vou de manhã. Assim evito a fila e o sol”, diz. Mãe pela primeira vez, Silva garante que participará de todas as campanhas. “Tem que cuidar bem. E aqui no bairro, todo mundo está sabendo da campanha. A divulgação foi grande”, diz.

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