Cultura

Danni Carlos canta covers ‘pudicas’

Diego Molina
| Tempo de leitura: 3 min

Loira, bonita – “visualmente uma mistura de Sharon Stone e Courtney Love”, segundo o material de divulgação da gravadora Sony & BMG – e dona de uma voz sexy e com potencial. A dúvida é: por que Danni Carlos (ou as forças por trás dela) insiste em gravar sucessos internacionais em versões pudicas, quase “para virgens”?

Ela acaba de lançar “Rock’n’Road Movies”, quarto CD com covers acústicas de hits em inglês e o primeiro com repertório dedicado a sucessos do cinema. Os outros três flecharam hits garantidos, como “Missing”, do Everything But the Girl, “Fire”, de Bruce Springsteen”, “Man I Feel Like a Woman”, de Shania Twain, “Don’t Speak”, do No Doubt, entre muitas outras.

Apesar da pronúncia às vezes macarrônica, Danni consegue imprimir personalidade às canções, tanto às originais em vozes femininas como masculinas. Em entrevista ao JC Cultura, ela explica que tem o três como número ideal e pretendia fechar a trilogia dos sucessos acústicos. Cinéfila, decidiu expandir o projeto para canções de filmes.

“Nesse quarto disco, queria dar uma mudada. Três é um número ideal para mim. Amo cinema e não queria continuar na mesma, gosto de mudanças. Tenho um tracklist que trago para a gravadora e meu diretor e diretor artístico dão sua opinião. Estamos afinados, é uma química muito gostosa para decidir (o que entra no disco), mas primo pelo meu gosto”, comenta a intérprete.

O repertório de “Movies” vai de Henry Mancini e Simon & Garfunkel a Placebo e o onipresente (pelo menos no Brasil) Damien Rice. “Tento alcançar uma faixa etária bem ampla, é uma série de alquimias para chegar a um denominador comum para o mercado. Não me fecho no meu universo para não vender apenas para esse público restrito”, explica.

Ela reforça que nunca terá 100% de certeza se as escolhas agradarão o público. Até o momento, o feeling supostamente deu certo, já que a primeira trilogia e seu DVD gravado ao vivo foram muito bem em vendas – três discos de ouro na parede.

As canções de Danni têm mais colorido que outras versões acústicas “beges” que pipocaram nas lojas nos últimos anos, mais por sua voz do que pelos arranjos pouco ousados. Porém o formato, especialmente nesse novo disco, deixa tudo comportadinho demais. Exemplos são três das músicas mais sensuais do repertório que, no CD, ganham ares de bailinho adolescente.

“You Can Leave Your Hat On”, de Randy Newman, que tem interpretações mais famosas e matadoras nas vozes de Joe Cocker e Tom Jones, virou um inocente dedilhado de violões. “Let’s Stay Together”, de Al Green, tornou-se uma baladinha na qual a cantora apenas rende-se ao arranjo, e “Every You, Every Me”, da banda britânica Placebo, perde o peso da original para ser... menos pesada.

Danni não faz feio em “The Blowers’s Daughter”, de Damien Rice (em arranjo igual ao da original), “Iris”, do Goo Goo Dolls (sem as guitarras, afinal o disco é acústico), “How Deep is Your Love”, dos Bee Gees, ou “Moon River”. Mas peca ao rever “Born to Be Wild”, do Steppenwolf, sem o peso necessário, ou “Sweet Dreams (Are Made of This)”, do Eurythmics, que vira – susto – um quase-reggae.

Segundo Danni, ela começa a trabalhar com suas composições no segundo semestre. Com os pés no chão, espera que os discos acústicos sirvam como apoio a um trabalho mais pessoal. “Nunca cantei em barzinho e gravei quatro CDs de covers. E amo. Às vezes, não adianta dar murro em ponta de faca. Tive de gravar, mas coloquei minha personalidade. Se tivesse deixado passar essa chance, talvez nunca fizesse meu disco autoral. Agora, já conhecida, o caminho fica mais fácil. Tudo foi ao meu favor”, pondera.

Há personalidade e há uma boa cantora. Melhor é torcer para que um disco de Danni Carlos também como compositora seja uma boa surpresa.

Comentários

Comentários