O Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Bauru (Codepac) visitou ontem a chácara onde funcionou o bordel de Eny Cezarino, a cafetina mais famosa do Brasil. O imóvel, às margens da rodovia Marechal Rondon, pertence atualmente ao empresário Caio Marcos Banuth. A antiga Casa da Eny é alvo de polêmica em razão da intenção do conselho de pedir seu tombamento arquitetônico ou histórico-cultural, enquanto o atual proprietário planeja sua demolição para o início das obras de um empreendimento residencial.
Após a visita, o Codepac deve reunir-se para verificar a viabilidade do tombamento por motivos arquitetônicos e/ou histórico-culturais, mas não reiterou sua intenção de preservar a chácara, ontem, justamente por conta do estado degradado de parte das instalações.
Em nota enviada à imprensa, o conselho informa que o processo 23681/01, que dava início ao projeto de tombamento e preservação, não tinha continuidade devido à dificuldade de acesso e vistoria do imóvel. Com a visita, o assunto deve ser retomado na próxima reunião do órgão, agendada para 26 de junho. Em entrevista ao JC Cultura nesta semana, o presidente do Codepac, Henrique Perazzi de Aquino, afirmou que não haverá qualquer assembléia extraordinária apenas por conta do assunto.
Na nota, o Codepac informa que seus membros tiveram oportunidade de conhecer pessoalmente as instalações originais do bordel e fazer um registro fotográfico do local, acompanhados do atual proprietário. Banuth também apresentou ao conselho o estudo preliminar do empreendimento que planeja para a área de 15 mil metros.
“Agora, portanto, o Codepac poderá julgar com maior clareza a importante decisão de tombar ou não o imóvel em questão. E deverá fazê-lo com a maior brevidade possível, dentro de sua agenda ordinária de reuniões”, finaliza a nota divulgada ontem à tarde.
A chácara foi utilizada, nos últimos anos, para sediar festas diversas e há alguns ambientes bastante deteriorados, com infiltração nas paredes e teto, espaços com azulejos e piso faltando e madeiramento corroído. Uma outra área foi isolada e reformada, para uso particular do proprietário.
Uma enquete realizada pelo JC nesta semana questionou cidadãos sobre o tombamento da Casa da Eny. As opiniões se dividiram entre os que apoiam a preservação por sua importância na história da cidade, com o sucesso que o bordel de Eny fazia nos anos 1950 e 60; os que defendem a utilização do espaço para atendimento à população - alternativa mais difícil, já que a área é de propriedade particular e a administração municipal não costuma adquirir imóveis para preservá-los; e ainda os que acham um absurdo discutir o tombamento da casa supostamente utilizada para prostituição. A maior parte dos vereadores também se colocaram contra o projeto.