Mais uma vez, depois de tantos e tantos anos comemorando o Dia de Portugal, aqui estamos, unidos, para relembrar o nosso torrão natal.
Atualmente, a língua portuguesa é falada por cerca de 200 milhões de pessoas, sendo a sexta língua mais falada do mundo e a terceira mais utilizada na internet.
Além de Dia de Portugal, o dia 10 de junho é também conhecido como o Dia das Comunidades Portuguesas, Dia da Raça e Dia de Camões.
Aos 10 de junho de 1944, na cerimônia de inauguração do Estádio Nacional, Salazar chamou esse dia como o Dia da Raça. Mas a designação é discutível, embora perdure. Foi apenas no seguimento da Revolução de Abril, disseminada como a Revolução dos Cravos, que o dia da morte de Camões veio a conjugar-se com os festejos da nacionalidade, num conceito alargado.
Por tudo isso, em Bauru, a exemplo do que ocorre nos hemisférios austral e boreal - há muitos anos, festejamos a data maior dos portugueses, como uma tradição inconteste dos descobrimentos, e da epopéia lusitana, mas, também, para enaltecer um dos maiores vultos da literatura portuguesa: Luís Vaz de Camões, que morreu há 426 anos em Lisboa.
Celebram os portugueses a cada 10 de junho o dia de Portugal, isto é, fazem do Dia do seu maior Poeta, o Dia da sua Pátria. Por isso, tanto quanto sei, seremos o único povo que se revê, assim, num poeta, símbolo da sua identidade pátria, e não numa outra qualquer data evocativa de uma qualquer vitória ou efeméride. É bonito que tal aconteça e é justo que assim seja, porque Camões, o grande poeta lírico, épico e dramaturgo, é considerado o maior representante do Renascimento Português. E este acontecimento cívico que destaca os grandes feitos portugueses, deve-se à abnegação do lídimo professor José Maria Leite Neto, atual presidente da Associação Luso Brasileira, que, decidiu somar esforços e resgatar com Arlindo Marques Figueiredo, Cônsul de Portugal de Bauru e Geraldo Ferreira, presidente da Associação Beneficente Portuguesa, coordenadas pelo signatário, as comemorações a Portugal e ao seu poeta lírico que deixou como testamento único a sua obra “Os Lusíadas”, testemunho de longa experiência e honesto estudo. Consagrado pela argúcia de sua pena acabou pobre, muito pobre. Somente no extremo de sua existência obteve a “tença régia” de 15 mil réis, em recompensa dos serviços prestados. Morreu aos 1580. No seu leito de morte e na que foi uma das últimas frases que proferiu, terá, com grande dor, referido: “Morro com a Pátria”.
Celebrar Camões é mostrá-lo aos lusitanos, que, afinal, somos todos nós, patrícios da terra e da língua portuguesa. É que Camões soube louvar-nos na nossa real grandeza passada; soube prevenir-nos n’”Os Lusíadas” contra vícios mil, entre eles os da corrupção. É digno de receber “os beijos merecidos da verdade”, como diria Fernando Pessoa. “... quem bem ama mais o bem comum que a si mesmo.”.
As homenagens iniciam-se às 18:00 horas com uma Missa de Ação de Graças na Capela de São José do Hospital da Beneficência Portuguesa, a ser celebrada pelo Padre João Inácio Rodrigues da Paróquia N. S. das Graças da Casa do Garoto. Às 19h acontecerá a parte solene da comemoração com extenso programa no salão de festas da Associação Luso Brasileira, tendo como palestrante Alexandre Luiz de Abreu Veronez, professor de Literatura Portuguesa e Brasileira do Colégio Fênix.
O autor, Abel Fernando Marques Abreu, é o coordenador de evento