Gastronomia

Paixão e boa mesa

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 5 min

O princípio da cozinha Afro-disíaca é tão antigo quanto o homem, tendo desde sempre sido associado a alimentos e tipos de preparação a um potencial de... “boas digestões”!

Segundo Carlos Madeira, chef internacional do Azeite Gallo, um apaixonado e curioso pela culinária afrodisíaca, aquilo que podemos dizer hoje em dia é que não existem alimentos milagrosos, mas unicamente facilitadores de um estado de espírito e também do ponto de vista físico, com uma fluidez da corrente sangüínea que ajuda a atingir os fins que à partida estariam longe de serem alcançados.

Quer através do formato, quer por meio do modo como são consumidos, quer por meio de sabores picantes e quentes, são considerados alimentos afrodisíacos aqueles que nos fornecem sinais para tal, mas que depende da envolvência especial com o parceiro e não unicamente de um determinado prato ou ingrediente.

Para apimentar este dia, o chef português criou algumas receitas especiais com alguns destes ingredientes para quem quer algumas sugestões para o jantar e propiciar uma noite inesquecível de Dia dos Namorados: Ostras com Aromas de Afrodite, Mista de Aspargos com Suco de Limão, Caldeirada de Bacalhau com Malaguetas Picantes e Torta Quente com Figo dos Namorados.

“São dicas para fazer com que este Dia dos Namorados seja passado com uma excelente refeição que são por si só verdadeiras fontes de prazer... de boca! Espargos, ostras, malaguetas picantes, espetos de fruta com prazeres da carne, são as receitas para um dia maravilhoso, depende só do seu tempero”, concluiu o chef.

Torta quente com figos dos namorados

Massa

250 gramas de farinha de trigo

50 gramas de açúcar

75 gramas de azeite extra virgem

Recheio

800 gramas de figos maduros

4 unidades de ovos

100 ml de natas

100 gramas de miolo de amêndoa

75 gramas de açúcar

15 gramas de açúcar com baunilha

40 gramas de farinha de trigo

Modo de preparo

Massa

Misturar a farinha com o açúcar, adicionando o azeite, mexendo. Forrar a forma de torta e deixar descansar a massa. Furar com garfo e cozer a massa em forno a 200º, cerca de 15 minutos.

Recheio

Tirar a pele dos figos, cortá-los ao meio e encher a forma, mantendo a parte aberta para cima. Misturar todos os restantes ingredientes e colocar ao redor dos figos, levando ao forno a cerca de 15 minutos.

Servir morna, acompanhando com sorvete de baunilha mais suco de gengibre misturado...

Ostras com aromas de afrodite

60 ostras bem frescas

120 gramas de cebolas picadas finamente

150 ml de vinagre de vinho tinto

400 ml de azeite Gallo extra virgem

Pimentas em grão de diversas cores a gosto

200 ml de vinho branco seco

30 unidades de tostas de pão de centeio

75 gramas de manteiga

1 unidade de lima para suco

Modo de preparo

Abrir as ostras, deixando em meia casca. Polvilhar com as pimentas moídas na hora, regando com o suco de lima.

Aquecer o azeite, adicionar as cebolas picadas e quando louras, o vinho branco, podendo adicionar picante a gosto. Secar as tostas de pão de centeio, cobrir com a manteiga e servir as ostras sobre gelo picado.

Mista de aspargos com suco de limão

1.2 kg de aspargos brancos

1.2 kg de aspargos verdes

4 unidades de gema de ovo

100 ml de azeite extra virgem

Pimenta do reino o quanto baste

Páprica o quanto baste

1 unidade de limão para suco

Modo de preparo

Cozer os aspargos em água, sal e suco de limão, cerca de 20 minutos. Deixar aquecer dentro do caldo da cozedura.

Misturar o azeite com as gemas e levar ao microondas cerca de dois minutos em potência 900W, mexer, adicionar um pouco do caldo de cozer os aspargos e repetir a operação do microondas, até o molho estar consistente.

Colocar os aspargos no prato, sobrepostos, polvilhando com a pimenta do reino e a páprica.

• Experimente chupar os aspargos lentamente, molhando a ponta no molho de cada vez que o leva à boca. Lembre-se que os aspargos se comem à mão.

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Esquentando o clima

Dizem alguns nutricionistas e sexólogos que a pimenta e o gengibre têm poderes picantes quando o assunto é paixão. Picantes e agregantes, diga-se de passagem, tanto assim que desde a época de Cleópatra e Marco Antônio davam asas à imaginação nos lautos jantares servidos à luz de velas.

Quando a eles se somam frutos do mar, ostras e aspargos a coisa pega fogo, levando às raias da paixão.

Verdade ou mentira o certo é que o gengibre - ginger em inglês, zenzero em italiano e gingembre em francês por seu sabor picante é muito apreciado nas cozinhas orientais, desde a Tailândia até a China e o Japão, onde aparece cru, ralado, entre fatias de sashimi.

Combina perfeitamente com tudo que vem do mar – faça o teste com essa receitinha fácil de canapé: sobre pequenos quadrados de pão de fôrma, coloque fatias de salmão defumado e um pouquinho de gengibre ralado. Fica delicioso e instigante!

Seco, em pó, tem uso e sabor complemen-tamente diferentes. Vai no masala indiano e no quatre épices francês, em bolos e biscoitos, como o famoso biscoito de gengibre americano (gingerbread cookie) decorado com glacê e anilina).

Quanto às pimentas, há inúmeras espécies. No Brasil, a comari, a dedo-de-moça e a malagueta são muito usadas.

Mas ainda existem preferências recaindo na da jamaica, de-cheiro, do-reino, rosa, verde e vermelha.

A da Jamaica muito antes de Cristóvão Colombo aportar na América já era usada para temperar o chocolate dos astecas. A de-cheiro pertence à família da Capsicum chinense alcançando grau 10 na escala criada para medir a ardência das pimentas; a dedo-de-moça é versátil combinando com os mais diversos pratos e combinando muito bem com chocolate, um dos prazeres dos enamorados; a do-reino já foi a especiaria mais cara do mundo fazendo navegadores passarem meses no mar rumo à Índia para encontrá-la e a malagueta misturada a pimenta-de-cheiro, camarão seco e azeite de dendê – especialidade de Gabriela, fazia o turco Nacib gemer sem sentir dor!

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