O gerente da Unidade de Acesso a Serviços Financeiros do Sebrae Nacional, Carlos Alberto dos Santos, afirmou que “o crédito cresce forte no geral e ainda mais forte para os pequenos negócios e, o mais importante, com redução de custos”. Ele foi um dos palestrantes do ‘5º Seminário Banco Central de Microfinanças’, promovido na última semana pelo Banco Central e o Sebrae, em Recife (PE). Carlos Alberto participou do painel ‘A importância das microfinanças para micro e pequenas empresas’.
O gerente deixou uma mensagem de otimismo, “olhando para trás podemos ressaltar boas notícias no presente e ter esperança que o futuro será ainda melhor”. No ano passado, houve uma ampliação geral de 17,4% do crédito em comparação com 2004. Para pessoas físicas, o crescimento foi de 20%; para as jurídicas foi de 17,4%. Mas considerando-se o segmento das micro e pequenas empresas, isoladamente, o crescimento foi de 28,6%.
O melhor disso tudo é que essa melhoria “se deu por meio de soluções de mercado, o que aponta para a sustentabilidade do processo de crescimento do crédito, independente dos humores de governos”. As atividades produtivas financiadas pelas instituições financeiras, estacionada, durante anos, em 20% do Produto Interno Bruto (PIB) já supera 31%.
Há um espaço enorme para a continuidade dessa expansão. É só observar que em países vizinhos, bem menores, como o Chile, a relação do crédito com o PIB é de 86%. Na Alemanha chega a 160% e, na Espanha, a 135%.
Segundo Carlos Alberto, as melhorias na área de acesso ao crédito, já reduziram um pouco a defasagem do Brasil nessa área. Mas os avanços precisam ser acelerados para que as pequenas empresas possam se tornar cada vez mais sustentáveis e competitivas. Para isso, enfatizou, é preciso arregaçar as mangas e parar de reclamar principalmente contra os bancos.
Para que estes reduzam os custos dos empréstimos é preciso reduzir a informalidade e aumentar a transparência das empresas. E isso se consegue com medidas governamentais que induzam a legalização dos negócios, previstas na Lei Geral, que tramita na Câmara.
Também se consegue com a capacitação dos empreendedores e com a redução dos spreads (taxa de risco), esta uma responsabilidade dos bancos. “Nenhum de nós empresta dinheiro para quem não confia, nem que seja parente, por que um banco teria que emprestar?”, indagou o gerente.
A falta de conhecimento dos bancos sobre os pequenos negócios e vice-versa é um grande obstáculo para o acesso a serviços financeiros adequados. A tarefa do Sebrae é de contribuir para que relações de confiança entre as instituições financeiras e os empreendedores se estabeleçam.
Carlos Alberto dos Santos considerou brilhante a iniciativa do Banco Central de dar início aos trabalhos técnicos do seminário sobre microfinanças, com uma palestra do escritor e dramaturgo, Ariano Suassuna. Segundo Carlos Alberto, a palestra de Suassuna, produziu um sentimento muito forte entre os participantes.
“As palavras do escritor nos deram a verdadeira dimensão do nosso trabalho. Estamos aqui falando de números, dinheiro, de informações e técnicas, temas áridos que só têm importância quando vemos por trás deles as pessoas”.