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O Brasil na Copa


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De quatro em quatro anos o Brasil se enfeita de verde e amarelo e literalmente pára diante da televisão para assistir a Copa do Mundo, incentivado pela mídia e pelos interesses comerciais que cercam este grande evento. A meu ver, isso não tem nada a ver com patriotismo e sim ufanismo puro, uma vez que ultimamente só o futebol e alguns outros esportes têm nos dado motivos de orgulho de sermos chamados de brasileiros.

É só abrirmos os jornais e ver quantos motivos de sobra que nos envergonham diante dos outros povos. Não falo só dos países do chamado primeiro mundo, mas de países como a Índia, China, Rússia e do leste europeu, que não perderam o bonde da história como nós estamos perdendo. Vivemos afogados num mar de lama de corrupção, de jogos de interesse, de mensalões, de dinheiro em malas e cuecas, de escândalos indevidamente apurados como o recente sanguessugas das ambulâncias, de ladrões do erário público em todos os níveis, prefeituras, Estados e principalmente em nível federal, envergonhados por uma deputada dançarina que afrontou o decoro parlamentar diante da absolvição do colega declaradamente culpado, da compra de um avião caríssimo pelo nosso presidente abúlico, que nunca sabe de nada e de tantas outras que afetam o nosso civismo como a recente invasão do Congresso Nacional pelos vândalos do MLST. Vivemos com medo de ir e vir, com medo da violência urbana que nos oprime, com medo de termos nossas casas e automóveis roubados, com medo de sermos assaltados de uma hora para outra ou de sermos envolvidos nos ataques dos PCC da vida e afrontados por uma justiça iníqua que mantém soltos réus confessos que matam pai e mãe, por exemplo.

Vivemos pagando impostos (um dos mais caros do mundo) e sem praticamente nenhum retorno em termos de segurança, educação, saúde e transportes. Está mais do que na hora de deixarmos de ser um povo que só gosta de pão e circo e evoluirmos politicamente e exercermos a nossa cidadania e o nosso verdadeiro patriotismo, não só de quatro em quatro anos, mas todos os dias. Quero ter orgulho de ser brasileiro, quero viver num país menos corrupto, mais justo, mais seguro, mais saudável, menos hipócrita e por conseqüência mais feliz. Esse é o sonho e o legado que quero deixar para os meus filhos e netos. Não vai ser fácil, mas para Deus não existe impossível.

O autor, Olivo Costa Dias, é médico em Bauru

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