É inevitável. Todos os dias toneladas de lixo são produzidas em Bauru, mas nem toda população sabe e dá a destinação correta aos materiais que podem ser reciclados ou reutilizados ao invés de irem para o aterro sanitário, o que reduziria os danos ao meio ambiente. Com boa vontade e disciplina para mudar hábitos, os cidadãos podem contribuir para amenizar os problemas causados por esse verdadeiro “vilão” da natureza. E o primeiro passo é conscientizar-se de que boa parte dos resíduos domésticos é reciclável. Alguns, como pilhas, baterias de celulares, lâmpadas, são altamente poluentes e, por isso, exigem destinação especial.
O diretor de Limpeza Pública da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), Rubens Sérgio Trentini Duque, explica que há leis federais que disciplinam o descarte de baterias de celulares e pilhas, principalmente as alcalinas. Estas últimas devem ser encaminhadas aos supermercados, enquanto as baterias, para as lojas autorizadas que vendem telefones.
Já os pneus velhos devem, conforme Duque, ser encaminhados para borracharias ou levados diretamente à Diretoria Limpeza Pública da Emdurb, que se encarregam de enviar o material a indústrias de reciclagem que, podem, inclusive, usar os pedaços de borracha para pavimentação. “O que a pessoa não pode fazer é deixar pneus nas ruas, pois pode vir a se tornar um criadouro do mosquito da dengue. E o coletor de lixo não recolherá porque não podem ser descartados e enterrados no aterro sanitário do município”, alerta.
Por mês, a Emdurb recebe cerca de 2 mil pneus velhos das borracharias, segundo Duque. “Cerca de 90% deles de carros pequenos. Depois, os encaminhamos ao aterro, onde deixamos em uma área coberta, para em seguida contatarmos uma empresa especializada para vir retirá-los do local e dar destinação final aos pneus”, conta.
Duque também orienta a população a redobrar a atenção ao descartar lâmpadas comuns e as fluorescentes, que possuem gases tóxicos. “O coletor não recolhe as lâmpadas, mas muitas pessoas as quebram e embrulham em jornal para não machucar o lixeiro e não rasgar a embalagem. O certo seria as pessoas levarem à Emdurb, mas a pessoa terá de pagar R$ 0,60 por lâmpada para desfazer-se dela”, informa o diretor.
“Esse valor é cobrado porque a Emdurb paga uma empresa para dar a destinação final correta a esse produto, que é triturado. Sabemos que por essa razão a maioria das pessoas acaba quebrando as lâmpadas. Mas gostaríamos de conscientizar da necessidade de se desfazer corretamente delas, pois elas possuem gases que são nocivos ao meio ambiente”, completa Duque.
Coleta seletiva
O titular da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), Carlos Alexandre Barbieri, defende a coleta seletiva como a melhor maneira para destinar corretamente os plásticos e alumínios, como as garrafas de refrigerante e as latas, além do papel e vidro. “Quando entrei na secretaria, não dava muita bola para esse assunto, até porque não conhecia. Mas fui me educando ambientalmente e um dia me propus a iniciar a separar o lixo. Demorei cerca de dois meses para me adaptar à separação, mas hoje, após três anos, não me conformo mais se não separar meu lixo e fico revoltado quando alguém não separa perto de mim”, frisa.
Cerca de 30% do volume do lixo residencial é orgânico. O restante é material volumoso que pode ser reciclado, explica Barbieri. “Assim, em minha casa, deixamos de gerar um saco de 50 litros de lixo por semana para um de 15 litros, pois o restante é reciclável”, conta.
Barbieri ressalta que, ao separar o lixo para reciclagem, o cidadão impulsiona impactos positivos. “O primeiro deles é sobre a coleta, pois quanto menos lixo para recolher, menos a cidade gastará com isso, sobrando mais recursos para aplicar em outras atividades. Outros impactos diretos são o aumento da vida útil do aterro sanitário e o fato de evitar que esse material seja jogado no meio ambiente e contribuir para que seja reciclado e os produtos utilizados outras vezes. Por fim, é importante ressaltar o caráter de socialização do lixo, pois muitas famílias dependem da reciclagem para sobreviver. Só em Bauru são cerca de 500 famílias”, enfatiza.
Mas apesar de toda sua importância, Barbieri lamenta o fato da coleta seletiva ainda ser pouco praticada entre os bauruenses. “Infelizmente, é um percentual medíocre, pois chega só a 1% - cerca de 60 toneladas - de todo o lixo gerado, aproximadamente 220 toneladas por dia. Falta conscientização das pessoas para que cada um faça sua parte a fim de colaborar com o meio ambiente”, conclui.
• Serviço
A Diretoria de Limpeza Pública da Emdurb fica na rua Aparecida, 9-1 (fundos).