Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve comunicar ao PT até o final da semana se será candidato à reeleição. A convenção do partido está marcada para o próximo dia 24, em Brasília.
O presidente do PT, Ricardo Berzoini, confirmou que a expectativa é de que o presidente confirme sua candidatura e oficialize a corrida à reeleição apenas na convenção partidária. “O Partido dos Trabalhadores não trabalha com plano B. O PT só trabalha com um plano. Na nossa opinião o presidente deve ser candidato e achamos que ele será”, afirmou Berzoini. “Na semana anterior à convenção podemos fazer uma interlocução e já anunciar”, acrescentou. “Esperamos que seja assim.”
Plano de governo
O PT iniciou ontem a formulação do plano de campanha do governo, com diretrizes a serem seguidas no possível segundo mandato do presidente Lula. O programa estará pronto na primeira quinzena de julho. E 32 grupos de trabalho concluem discussões sobre pontos específicos até a primeira quinzena de agosto.
O coordenador da campanha do presidente Lula, Marco Aurélio Garcia, afirmou que o crescimento mais acentuado da economia será prioridade. Esse crescimento mais elevado, de acordo com ele, respeitará o equilíbrio macroeconômico, a redução da vulnerabilidade externa, promoverá a distribuição de renda e a integração do Mercosul.
Definição de metas
Ao contrário da campanha de 2002, o programa do governo não deve estabelecer metas para a segunda gestão do presidente Lula. Berzoini afirmou que a proposta tratará das diretrizes do segundo mandato, caso Lula vença o pleito de outubro. Apesar disso, o presidente do PT falou de uma possível meta para a taxa de juros real da economia brasileira.
O valor seria suficiente para, na sua opinião, reduzir a relação entre a dívida pública e o PIB. “Com a taxa de juro real de 7,5% a 8%, que é um desejo, não será fixada por decreto, mas pode ser uma meta razoável para curto ou médio prazo, permite que o atual superávit promova a redução da relação dívida/PIB de maneira sustentada por um período longo”, afirmou. Depois, Berzoini recuou. Disse que os números foram citados apenas para efeito de argumentação.
Nos Estados
O dirigente do PT, Gleiber Naime, do Grupo de Trabalho Eleitoral (GTE), disse que o partido deve lançar menos candidatos a governador neste ano na comparação com 2002. Dessa vez, ele calcula que a legenda terá 18 candidatos próprios a governador contra 24 em 2002.
No sábado, o diretório petista de São Paulo deu partida à temporada de convenções estaduais com o lançamento do senador Aloizio Mercadante. Naime evita dizer em quais Estados o partido terá mais chance de vencer as eleições. “As pesquisas são importantes, mas o que define uma corrida eleitoral é o voto no dia das eleições. E até lá tem muita água para passar debaixo da ponte. Vale para todos”, disse ele.
O coordenador do GTE afirma que o número menor de candidatos próprios deve-se ao fato de que a legenda aumentou o número de coligações neste ano. Somente com o PC do B, são alianças em 25 Estados, e com o PSB, em 22 Estados, e com o PMDB, em 16. “Com o PPS haverá possibilidades em 8 Estados, caso não haja coligação formal com PSDB/PFL em nível nacional. Com o PDT, haverá possibilidades em seis Estados, caso não lance candidato a presidente”, disse o dirigente.
Naime calcula que o presidente Lula - virtual candidato à reeleição - deverá ter “dois palanques” em pelo menos sete Estados: Alagoas, Distrito Federal, Maranhão, Pará, Pernambuco, Rio de Janeiro e Rondônia. Ele afirma que há chances de um palanque duplo no Amazonas, Amapá, Bahia, Mato Grosso, Paraná, São Paulo e Tocantins.