Rio - Teórico de projeção internacional, o físico pernambucano José Leite Lopes morreu ontem às 8h25, aos 87 anos, de falência múltipla dos órgãos, no Hospital Samaritano, em Botafogo, zona sul do Rio, onde estava internado desde dezembro. O corpo do físico foi velado no auditório principal do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), instituição da qual Leite Lopes foi um dos fundadores. Ele será sepultado hoje, às 10h, no cemitério do Caju.
Nascido em 1918, Leite Lopes se tornou PhD em 1946 pela universidade de Princeton (EUA), estudando com um dos mais importantes nomes da Física, o Prêmio Nobel Linus Pauli. Três anos depois, fundaria o CBPF junto com o destacado físico brasileiro César Lattes, entre outros. Na década de 1950, participou da formação da Comissão Nacional de Energia Nuclear e na seguinte, sugeriu ao governo a criação do Ministério da Ciência e Tecnologia.
“Ele formou várias gerações no Brasil e foi fundamental na criação da cultura científica do País”, disse o atual diretor do CBPF, Ricardo Galvão. “Leite Lopes teve importância em várias vertentes. Como físico, deu contribuições teóricas seminais. Era uma pessoa de esquerda e exerceu forte influência do ponto de vista político”, disse.
Cassado pela ditadura militar em 1969, quando era professor de Física Teórica da Faculdade Nacional de Filosofia, Leite Lopes deixou o Brasil. Após uma nova passagem pelos EUA, se fixou em Estrasburgo, na França, onde viveu até 1986. Leite Lopes foi autor de obras importantes, adotadas internacionalmente, como “Fondements de la physique atomique” (1967), “Lectures on symmetries” (1969) e “Gauge field theories” (1981).