O vereador João Parreira (PSDB), líder informal do prefeito Tuga Angerami na Câmara Municipal, pediu publicamente a saída de Renato Purini da presidência da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb). Para ele, a situação do vice-prefeito ficou insustentável depois que a crise do lixo veio à tona. “Não é aceitável que o Purini seja mantido na administração da Emdurb”, disse.
O pedido de Parreira se baseia nas denúncias da suposta doação, não contabilizada, de até R$ 400 mil, que a empreiteira Marquise teria feito à campanha da aliança Tuga Angerami-Purini. O problema do lixo, aliás, dominou os discursos dos vereadores durante a sessão de ontem.
Parreira lembrou que foi Purini quem propôs que a Marquise fosse contratada em regime de emergência para fazer a coleta na cidade. Ele ressaltou que foi o prefeito Tuga Angerami quem impediu que a empresa se instalasse em Bauru. “O Purini contratou a Marquise através deste decreto de emergência, com um detalhe, a empresa já estava instalada em Bauru, antes mesmo do decreto ser assinado”, salientou.
Na prática, Parreira procurou isentar o prefeito e transferiu a responsabilidade por um suposto direcionamento na terceirização do lixo ao presidente da Emdurb. “Não é aceitável que o prefeito tenha em seus quadros uma pessoa que tentou transferir a coleta de lixo para uma empresa, e depois vem à tona que essa empresa pode ter feito uma doação para a campanha do prefeito”, ressaltou. “Se o prefeito Tuga Angerami quisesse direcionar a terceirização ele não teria criado uma comissão externa, com representantes de várias entidades sérias e sob a coordenação do Célio Parisi, que era o secretário de Negócios Jurídicos”, completou.
O tucano cobrou explicações do vice-prefeito sobre o assunto, para que as dívidas sejam dissipadas. “Não sei se ele foi realmente para São Paulo se encontrar com representantes da empresa ou não, mas o vice-prefeito tem que se explicar e para que o prefeito possa superar essa questão ele precisa assumir uma posição de transparência, e diante disso a situação do Purini, como presidente da Emdurb, é insustentável”, frisou.
O vice, Renato Purini, não retornou às ligações realizadas ontem pela redação, a empreiteira Marquise não se manifestou e o Executivo foi contatado, mas não retornou.
Cautela
Apesar de confirmarem que desde o início da atual gestão o prefeito e o presidente da Emdurb vivem uma relação de conflito, principalmente quando se trata da coleta de lixo, os demais vereadores preferem a cautela ao comentar a opinião de João Parreira.
Para Primo Mangialardo (PV), pessoas com pensamentos diferentes dificilmente conseguem andar junto, mas ele sustenta que ainda é cedo para pedir a cabeça do vice-prefeito. “Só quero encorajar o senhor Renato Purini a trazer tudo o que ele sabe. Tem que acontecer alguma coisa, o que não pode é a população, a cada momento, ter um mal súbito com essas notícias que aparecem”, disse.
Os vereadores Arildo Lima Júnior (PP) e Benedito da Silva (PSDB) também destacaram o “comportamento conflituoso” entre Angerami e Purini. “Não há convergência entre eles desde o início”, afirmou Lima Júnior.
Os parlamentares ainda insistem que tanto Angerami quanto Purini devem se explicar à população sobre as denúncias de caixa dois. O vereador Marcelo Borges (PSDB) cobrou novamente esclarecimentos. “O prefeito tem que vir, explicar, dar uma entrevista coletiva à imprensa para esclarecer à sociedade se houve caixa dois, se houve venda de serviços da prefeitura, que é mais grave ainda”, disse.
De acordo com o tucano, não é tirando uma peça que vai consertar o defeito. Ele destacou que o problema é da administração como um todo e não apenas de uma pessoa. “O prefeito tinha afirmado que todos os atos de todos os secretários passam pela mão dele, então ele e o vice-prefeito tem que explicar”, ressaltou.
Já o vereador Rodrigo Agostinho (PMDB) argumentou que até o momento não houve nenhum fato concreto que responsabilizasse o presidente da Emdurb. “Acho totalmente prematuro qualquer medida drástica, a não ser que exista alguma irregularidade que ainda não se tornou público. Mas acho que é uma medida administrativa e o prefeito é quem decide”, salientou.
Paulo Madureira também considerou precipitado o pedido do colega de Câmara João Parreira, para que Purini deixe a presidência da Emdurb. “Não adianta nada você pedir a cabeça de uma pessoa sem ter um documento na mão. Eu não vi nada até agora que pudesse derrubar o Purini ou qualquer pessoa”, afirmou.