A Copa do Mundo muda a rotina até dos sindicalistas. Os funcionários da Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (Cteep) fizeram ontem uma paralisação de 24 horas. Eles pretendiam continuar o movimento nos próximos dias, mas desistiram devido aos jogos da Copa.
“Daqui para frente, trabalharemos em ritmo lento, mas só voltaremos à greve no dia 19, um dia após o jogo do Brasil. Não queremos prejudicar a transmissão de energia”, afirma o diretor do Sindicato dos Eletricitários (Sinergia/CUT) Francisco Wagner Monteiro, o Chicão.
O sindicalista diz que mesmo em dias de paralisação, funcionários ficam de prontidão para resolver possíveis problemas na rede. A Cteep é responsável pela transmissão de energia das empresas geradoras para as distribuidoras em todo o Estado de São Paulo.
Segundo o sindicato, aproximadamente 350 funcionários cruzaram os braços ontem. Até a tarde, eles ficaram em frente à sede da Cteep, na rodovia Marechal Rondon, em protesto contra o processo de privatização da empresa. O leilão está marcado para o próximo dia 28. Os trabalhadores pedem 11,93% de reajuste salarial, reposição das perdas, a manutenção da Fundação Cesp, entre outros itens. Até o momento a empresa sinalizou com aumento de 1,96%.
Privatização
A categoria é contra a privatização da Cteep por considerar um procedimento que resulta na precarização do trabalho oferecido ao consumidor por meio da terceirização dos serviços prestados, além de apontar um “inevitável aumento das tarifas” e demissão de trabalhadores.
A desestatização da Cteep foi aprovada na Assembléia Legislativa (AL) de São Paulo no dia 18 de maio do ano passado. De acordo com o governo do Estado, a venda da Cteep foi decidida para tentar salvar a Companhia Energética de São Paulo (Cesp), que tem dívida de aproximadamente R$ 10 bilhões. A Cteep está avaliada em mais de R$ 1 bilhão.
De acordo com o Sinergia/CUT, outros 50 funcionários da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) também fizeram paralisação entre as 7h30 e 8h30 de ontem. O sindicato pede aumento real de 11,3% e reajuste de 3%. “A empresa (CPFL) cresceu 11,3% no último ano. Queremos que o lucro seja repartido”, afirma o diretor do Sinergia/CUT Everton Rodrigues de Matos.
“Estamos programando paralisações cada vez em horários mais extensos. Começamos com uma hora e da próxima vez ficaremos parados por duas horas, depois por quatro, oito, etc”, afirma Matos.
A empresa e o sindicato estão participando de rodadas de negociação. A próxima está marcada para o dia 20.
Através da assessoria de imprensa, a CPFL afirmou que não recebeu reclamações durante o período que os funcionários fizeram paralisação, ontem. Também disse que as negociações estão em andamento e já aconteceram três reuniões.
Em relação aos demais movimentos em andamento na cidade, continuam de braços cruzados desde o dia 6 os servidores da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Eles querem reajuste de 7%, contratação de professores e fim da terceirização de funcionários. Até ontem, os professores da Unesp não haviam aderido ao movimento.