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Brasil inicia caminhada pelo hexa

Folhapress
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Berlim - É, para quase todo mundo, uma barbada. A partir de hoje, quando faz sua estréia contra a Croácia, às 16h (de Brasília), em Berlim, o Brasil inicia na Copa da Alemanha a busca do hexa no melhor estilo “fava contadas”.

O triunfo, anunciado nos quatro cantos do planeta, seria um repeteco do que aconteceu no Chile há 42 anos, a única vez na história que o Brasil conseguiu defender o seu título. A equipe atual tem semelhanças incríveis com o time de Garrincha, dono de dribles inesquecíveis - como são os executados por Ronaldinho, eleito duas vezes pela Fifa o melhor jogador do mundo.

Como o time de 1962, o atual tem média de idade de quase 30 anos, dois laterais recordistas de partidas com a camisa amarela (Djalma Santos e Nilton Santos x Cafu e Roberto Carlos), e um ídolo com problemas físicos (Pelé x Ronaldo).

Como Aymoré Moreira, que apostou na base montada por Vicente Feola em 1958, Carlos Alberto Parreira vai usar muitos dos que ganharam o penta com Scolari há quatro anos. Sinal inequívoco de sua superioridade, a Seleção está na liderança do ranking da Fifa desde julho de 2002 - 47 meses.

Neste período, o ranking de entradas do tênis masculino, por exemplo, teve seis trocas de líderes; no feminino, foram 13 mudanças. Até na Fórmula 1, caracterizada por monopólios históricos, nove pilotos e cinco equipes venceram desde então.

A atual Seleção seria então comparável ao “Dream Team” do basquete norte-americano, ouro nas Olimpíadas de Barcelona? Se os números servirem de parâmetro, não. É melhor. Os titulares hoje contra a Croácia somam 32 títulos internacionais pela Seleção. Os 12 americanos que assombraram o mundo há 14 anos, juntos, ostentavam 12 títulos na NBA.

O Brasil ainda tem a chance de bater ou igualar vários recordes individuais e coletivos. Bastam três gols para Ronaldo se transformar no maior artilheiro das Copas, superando o alemão Gerd Müller - são 12 gols para o brasileiro contra 14 do tedesco que fez história nos Mundiais de 1970 e 1974.

“Ele tem a oportunidade de bater muitos recordes. Acho que nestas três semanas ele se preparou bem e vai crescer durante a competição”, disse Parreira, outro que pode colocar seu nome na história caso o Brasil confirme seu favoritismo - o País é disparado o mais cotado para ficar com a taça nas bolsas de apostas londrinas.

Se o penta chegar, Parreira será o segundo treinador da história a ganhar o Mundial por duas vezes - o primeiro foi o italiano Vittorio Pozzo, em 1934 e 1938. Outra marca da Itália na época pode ruir já hoje, caso o Brasil vença: o País passará a ter a maior série invicta da história das Copas, com oito triunfos (somando os sete do título com 100% de aproveitamento em 2002).

Missão “fácil” para quem disputou todas as Copas do Mundo (fato inédito) e que, para muita gente, só não será campeão se o imponderável aparecer na Alemanha. Mas nem tudo são flores...

A Croácia poderá mudar o seu esquema tático para o jogo de hoje, reforçando a defesa e deixando um único homem no ataque. A possibilidade, tida como certa pelos jornalistas do país, não foi negada nem confirmada pelo técnico Zlatko Kranjcar.

O time costuma jogar num 3-4-1-2, mas pode torná-lo um 4-3-2-1. Assim, o ala Babic recuaria para a defesa. Além disso, um atacante voltaria para atuar ao lado do 1 Niko Kranjcar.

“A tática vocês verão em campo”, disse o técnico, que ontem, na viagem de trem de Fulda para Berlim, pagou cerveja para jornalistas croatas. Na preparação para o jogo, os croatas exibiram flashes de confiança (estão certos de que são os segundos melhores do Grupo F), mas o que predominou foi a reverência ao time brasileiro.

É unânime que um empate amanhã será um ótimo resultado. “Não vamos abaixar as calças e esperar para ver o que vai acontecer”, ressaltou Tudor.

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