Polícia

Menores se intoxicam com droga

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 2 min

Dois meninos, um de 12 e outro de 13 anos, chegaram ao Pronto-Atendimento Infantil (PAI) de Bauru ontem à tarde com suspeita de intoxicação por droga. Eles estavam sem coordenação motora, sonolentos e pálidos, segundo constatou a equipe médica que prestou os primeiros socorros.

Os menores foram conduzidos ao PAI pela Polícia Militar, acompanhados pela mãe do garoto mais novo. Segundo o Conselho Tutelar de Bauru, ela resolveu acionar a polícia quando os dois apareceram em sua casa, no Núcleo Mary Dota, como se estivessem embriagados.

A pediatra Maria Luiza Rodrigues Cury, que atendeu as crianças, descartou a possibilidade delas terem ingerido álcool em excesso, já que não estavam com o hálito alcoólico. Para a médica, o mais provável é que eles tenham inalado algum tipo de droga volátil, como cola de sapateiro, ou solvente, como tíner. O uso de crack também não foi descartado.

“Assim que medicados, foram submetidos a doses de glicose para o controle do organismo. A sorte é que eles foram socorridos bem a tempo. Há casos em que essas drogas levam os menores até à morte”, ressalta a pediatra.

Os pais dos meninos não quiseram atender à reportagem do JC. Davi Gustavo Pompei, vice-presidente do Conselho Tutelar de Bauru, disse que, segundo o menino de 12 anos, os dois ingeriram bebida alcoólica com refrigerante. “Ele contou que o mais velho conseguiu hi-fi (vodka com Fanta) para eles tomarem. Não deu para conversar com o outro menino porque ele ainda não havia acordado. Mas vamos apurar o caso e, assim que descobrirmos quem comprou essa bebida, tomaremos as medidas judiciais cabíveis”, disse.

Pompei adiantou que os pais das crianças serão advertidos e os menores, encaminhados a tratamento psicológico no Centro de Apoio Psico-Social (Caps) de Bauru. Ele também afirmou que esses casos não são raros na cidade. Conforme disse, muitos adultos, mesmo sem conhecer os menores, compram a bebida a pedido das crianças.

Orientação

A pediatra Maria Luiza Rodrigues Cury também trabalha com recuperação de dependentes químicos. Ela diz que é muito comum o vício por drogas, sejam alcoólicas ou tóxicos, começar na faixa etária em que estão os dois menores, de 12 e 13 anos.

A médica aconselha os pais que passarem por essa situação uma medida rígida para conter o erro dos filhos. “É preciso dar um castigo para que a criança entenda que o que ela fez foi muito errado. Os pais devem ser firmes. Mesmo assim, caso o problema se repita, a mãe ou o pai da criança deve procurar auxílio num grupo de pais para aprender a como lidar com essa situação e, assim, coibir essa atitude”, diz.

Cury ressalta que muitas crianças e adolescentes chegam a extrapolar ao experimentar a droga. “Existem casos em que os meninos inalam o solvente com a cabeça coberta por um saco plástico para o efeito durar mais tempo. Quando eles tombam - porque isso possibilita um desmaio momentâneo- ficam aspirando aquele ar e acabam morrendo por asfixia”, completa.

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