Para que servem as teorias? Recentemente, fui indagada sobre essa questão: o que são as teorias e qual a sua utilidade. De modo geral, as pessoas se apropriam desse termo para justificar um ponto de vista, “uma tese”, um argumento que para ela possa lhe parecer bastante justificativo. Não é incomum ouvirmos em algum momento a afirmação: “A minha teoria sobre esse assunto é a seguinte ...”. O que ocorre é que o senso comum apropriou-se deste termo para designar algum saber próprio estabelecido. Na verdade, as teorias são desenvolvidas pelos cientistas na busca pelo entendimento de algo que ainda não é conhecido ou esclarecido dentro da comunidade científica. Não significa que uma teoria traga sempre uma verdade, elas são limitadas e não podem revelar a verdade em sentido absoluto, como esclarece Lúcia Santaella, uma das mais respeitadas semioticistas brasileiras. A semiótica trata da linguagem não-verbal no processo de comunicação.
O que elas são, então? Num sentido mais geral, podemos dizer que as teorias agregam um conjunto lógico de sentido. Algumas podem se transformar em leis. Elas servem para ordenar o universo por meio de explicações, previsões e sistematizações. O seu valor está no seu poder de descrever; ordenar, organizando o conhecimento existente; dar consistência lógica ao que foi observado; a capacidade de gerar novas hipóteses, que é uma resposta provisória para um problema; enfim, as teorias é que dão sustentação para a ciência. Em tempos de eleição, o que mais nos chama a atenção é ouvirmos, geralmente de um político, a seguinte declaração: “ Eu tenho uma teoria sobre determinada questão ”. E este mesmo político, nos relata, seja pela televisão, pelo rádio ou até mesmo pessoalmente e olhando nos nossos olhos, gesticulando bastante e nos dando tapinhas nas costas, toda a ‘sua’ verdade! E com que propriedade!
Por incrível que pareça, muitos deles possuem uma capacidade explicativa maior que a de um cientista, porque há a necessidade de se procurar o consenso e de se comunicar com um número muito maior de pessoas. E é justamente isso que nos chama a atenção! Essa capacidade infinita de persuasão, de convencimento, de buscar com que o seu pretendido eleitor seja convencido das suas verdades.
Estudiosos da linguagem corporal avisam: “nem tudo é o que parece”. Allan e Barbara Pease, no seu mais recente best seller, Linguagem Corporal, contam que, nos Estados Unidos, as pessoas desenvolveram um fascínio pela linguagem corporal dos políticos porque eles acreditam que esses políticos muitas vezes fingem acreditar em coisas em que não acreditam ou tentam dar a impressão de que são o que na verdade não são. É ver e crer!
A autora, Adriana Nigro Cardia, é professora de jornalismo, mestre em Comunicação Organizacional pela USP