O vice-prefeito, Renato Purini (PMDB), continua em silêncio sobre a posição defendida pelo vereador João Parreira de Miranda (PSDB) de que não há mais clima para a manutenção do presidente da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb) no governo. A crise vai culminar com pedido de nova audiência pública para discutir suposta doação de campanha não declarada, em razão do Executivo também não reagir às críticas vindas de boa parte do Legislativo, que cobra explicações de ambos sobre a crise.
Purini não atende ao telefone e só tem aparecido por pouco tempo na Emdurb desde que seu ex-diretor de Limpeza Pública, Jorge Monteiro, vinculou sua participação em eventual ação para obtenção de recursos para a campanha eleitoral, em 2004, através de intermediário com acesso, conforme Monteiro, à empreiteira Marquise.
Purini e Monteiro disseram que estiveram juntos nos contatos feitos em São Paulo.
Agora, com a crise sobre as operações do lixo reacesas, ele resolveu sair de cena para não esquentar o caldeirão político que recai sobre sua administração. O vice-prefeito não se manifestou sobre o pedido de sua demissão, feito no Legislativo anteontem, e também não explicou a informação que dominou o plenário durante a sessão de que o contrato de emergência com a empreiteira Marquise – que chegou a ser anunciado no início de 2005 pelo próprio Purini – teria relação com a suposta colaboração eleitoral discutida pelo vice, junto com Monteiro, na capital, conforme os personagens.
O silêncio tem sido a estratégia encontrada pelo governo desde a semana passada, quando o JC levantou a suposta negociação realizada durante a campanha eleitoral. O prefeito chegou ao ponto de cancelar uma entrevista coletiva que concederia à imprensa, para divulgar os custos da Emdurb, depois que a reportagem foi publicada. Na ocasião, Angerami também falaria sobre a situação da coleta de lixo, tendo inclusive convidado os vereadores para a coletiva.
Depois de cancelar a reunião e divulgar nota dizendo que a terceirização da coleta do lixo seria suspensa, o prefeito não se manifestou mais sobre o assunto. O mesmo ocorreu com o presidente da Emdurb.
O chefe de Gabinete, Paulo Canalli, também se calou. Normalmente disposto a falar sobre os mais variados assuntos, ainda que delicados à administração, Canalli deu voltas e não retornou as ligações, sequer com um “nada a declarar”.
Os assessores de imprensa da Prefeitura e da Emdurb também mostraram que possuem habilidade para “driblar” os colegas jornalistas. Depois de muito insistir, sem sucesso, com Ronaldo Schiavoni, responsável pela comunicação na Prefeitura, e Emerson Luiz Sandi, assessor de imprensa da Emdurb, ficou claro que a ordem era para que nenhum dos integrantes da crise se manifestasse.