O bairro Ferradura Mirim, na região sudeste de Bauru, não possui creche municipal. A unidade mais próxima fica no Núcleo Bauru 22, de acordo com a Secretaria Municipal de Educação. Mas, desde o final do ano passado, aproximadamente 20 crianças carentes com até 2 anos moradoras do bairro têm a oportunidade de freqüentar uma creche gratuitamente. Trata-se do Centro de Educação Infantil Santo Antôonio, construído e mantido pela indústria Plasútil, que teve ontem sua inauguração oficial.
A creche fica no Distrito Industrial e está em funcionamento desde dezembro de 2005. A data de ontem foi escolhida para o “batismo” da creche por ser o dia de Santo Antônio. Atualmente são atendidas 30 crianças no local, mas o objetivo é disponibilizar 90 vagas até o final de 2007. No momento, 75% das vagas são destinadas a crianças do Ferradura Mirim. Os outros 15% são ocupados por filhos de funcionários da empresa.
O presidente da creche e um de seus idealizadores, Marco Antônio Pereira da Silva, ressalta que desde o início o projeto tinha cunho social. “Era um sonho que tínhamos há muito tempo e que agora conseguimos realizar. As crianças do Ferradura Mirim e os filhos de nossos funcionários convivem juntos, sem diferenças”, diz Silva.
A creche foi fundada em 15 de março de 2001, mas desde a idealização até a conclusão da obra foram quatro anos. Em primeiro lugar, o terreno foi doado da prefeitura para o Centro de Educação Infantil. Os diretores da instituição não sabem precisar quanto foi gasto para a construção, mas esclarecem que a manutenção é feita pela Plasútil.
Parceria
Para definir as famílias carentes atendidas pelo projeto, a diretoria da creche buscou parceria com a Secretaria do Bem-Estar Social (Sebes). “A secretaria possui um cadastro das famílias atendidas pelo Centro de Referência de Assistência Social (Cras). Utilizamos os dados para selecionar a população que seria atendida pela creche”, explica Débora Bincoleto, membro da diretoria da instituição.
Os 15% de vagas que correspondem aos filhos de funcionários da empresa também foram definidos através de triagem. “A questão financeira também foi levada em conta”, diz Bincoleto.
O horário de atendimento da creche é diferenciado, pois funciona também aos finais de semana. As crianças são assistidas por profissionais das 6h às 19h durante a semana e das 6h às 14h aos sábados. Onze funcionários trabalham no local: assistente social, seis berçaristas, coordenadora pedagógica, cozinheira e duas auxiliares de limpeza.
As crianças menores de 1 ano ficam no berçário. Acima dessa idade, permanecem no maternal. Cada sala possui uma televisão e aparelho de DVD com filmes e músicas infantis, além de brinquedos adequados à faixa etária das crianças.
Nos fundos da creche, as crianças têm contato com o meio rural. A “fazendinha” tem um casal de patos, duas ovelhas, duas galinhas da angola e um coelho.
A rotina das crianças é supervisionada também por pediatras. Em uma das salas da creche funciona um consultório, no qual cada uma das duas pediatras cumprem carga horária de oito horas semanais.
Quando chegam ao Centro de Educação, as crianças podem dormir ou brincar. Às 8h30 elas comem frutas. Depois, as funcionárias trocam suas fraldas. Um pouco mais tarde, às 10h30, é servido o almoço. Ao meio-dia, elas comem uma sobremesa. Depois, tiram um cochilo. Brincam a tarde toda e, antes de ir embora, tomam banho.