Internacional

Para Bush, a violência no país continuará até ‘independência'

Folhapress
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Nova York - Um dia depois de sua visita-surpresa ao Iraque, o presidente dos EUA, George W. Bush, afirmou que, apesar das pressões políticas, não vai retirar as tropas do país até que o governo iraquiano esteja consolidado e seja capaz de assumir a segurança.

Ele não especificou se acredita que isso ocorrerá num futuro próximo. A afirmação contraria a expectativa da maioria dos americanos - favorável à volta, ainda que parcial, dos 130 mil militares - e ocorre num momento de crescimento dos ataques de insurgentes.

O próprio presidente reconheceu que as pressões pela retirada vão aumentar com a proximidade das eleições parlamentares, em novembro, mas afirmou que a saída precoce “tornaria o mundo um lugar mais perigoso”.

Bush disse ter prometido às autoridades iraquianas que isso não vai acontecer. No início do ano, autoridades chegaram a afirmar que o número de militares no país poderia cair para 100 mil já em 2006.

Em entrevista na Casa Branca, Bush afirmou ainda que não é realista esperar atingir o nível de “violência zero no Iraque”. “Espero que a população não tenha a expectativa de que subitamente haverá violência zero. Isso não vai ocorrer”, disse. O presidente declarou que tem havido um “progresso contínuo” no combate aos insurgentes.

Apesar disso, defendeu o segredo - até para o premiê -, de sua viagem ao país dizendo que “o Iraque é um lugar perigoso”.

Na decolagem em Bagdá, anteontem, o avião da Presidência dos EUA percorreu a pista com todas as suas luzes apagadas. A pista não tinha nenhum tipo de iluminação.

O tanque não foi abastecido totalmente para que a aeronave pudesse subir mais rapidamente. A visita-surpresa causou ontem o protesto, na capital iraquiana, de centenas de radicais xiitas. Eles empunhavam bandeiras do país, aos gritos de "Iraque para os iraquianos” e "não à ocupação”.

Guantánamo

Bush reconheceu que a base militar de Guantánamo, em Cuba, manchou a imagem do seu país e disse que gostaria de fechar a prisão, se lá não houvesse “presos muito perigosos”. A maioria dos capturados na guerra ao terror está na prisão sem acusação. “Não há dúvida. Guantánamo dá a alguns de nossos amigos um argumento, por exemplo, para dizer: ‘Os EUA não estão respeitando os valores que tentam encorajar outros a ter’”.

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