A hematologista Sara Saad, do Hemonúcleo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), defende uma campanha nacional para conscientização populacional sobre a gravidade da anemia megaloblástica, semelhante ao que ocorreu com a anemia ferropriva (redução de glóbulos vermelhos por falta de ferro) na década de 1960 no Brasil.
Naquela ocasião, lembra a especialista, criou-se a consciência na população para a importância do ferro na prevenção da doença. “Agora é preciso que o mesmo ocorra com a vitamina B-12 por causa dos riscos da redução dessa vitamina no organismo. É preciso uma mobilização para que o País produza e disponibilize na farmácia básica um medicamento tão barato para o tratamento”, reivindica.
O tratamento da anemia megaloblástica é de baixo custo e ocorre pela aplicação de vitamina B-12 no paciente. A injeção de 1 miligrama do medicamento custa R$ 3,50. A prescrição prevê uma dose semanal durante três meses (totalizando R$ 42,00) e, depois, uma dose mensal para manutenção pelo resto da vida, já que a gastrite é perene, são suficientes para afastar conseqüências mais graves em casos diagnosticados precocemente.
A hematologista sugere que, no idoso, se faça um teste terapêutico com a administração da vitamina caso se perceba distúrbios da memória, irritabilidade anormal, formigamento nas pernas ou mãos, queimação nas solas dos pés, por exemplo. De acordo com ela, o remédio tem a vantagem de não produzir efeitos colaterais em alguém que não tenha a deficiência e pode colaborar para impedir a progressão de algum eventual problema.
A dosagem de B-12 no sangue é um exame laboratorial também barato e acessível (não chega a R$ 5,00) e permite ao interessado saber como está o nível da vitamina no organismo antes da eventual aplicação do medicamento.