Saúde

Copo é opção segura no lugar da mamadeira

Jornal da Unesp
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O uso de copo para garantir a dieta líquida da criança, do nascimento aos 2 anos, é uma alternativa segura quando o bebê não pode mamar no seio materno ou necessita de complementação alimentar. Isso por que a mamadeira pode provocar importantes alterações nos músculos da face, com riscos para a saúde.

Essas são algumas das conclusões da pesquisa de doutorado da fonoaudióloga Cristiane Faccio Gomes, defendida no Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina, campus de Botucatu, da Universidade Estadual Paulista (Unesp). A tese teve orientação da docente Ercília Maria Caroni Trezza.

Segundo a fonoaudióloga, os benefícios do aleitamento com o copo são semelhantes aos proporcionados pelo seio materno. Ambos estimulam o desenvolvimento adequado das funções estruturais da face, que compreendem ossos, músculos, língua e palato. Isso colabora para a formação de espaços corretos para os dentes, auxilia a respiração nasal, a deglutição e a preparação para a mastigação e a fala.

De acordo com Gomes, o uso da mamadeira provoca o enfraquecimento de músculos da face, ocasionando dificuldade de fala para a criança, que articula os sons com embaraço. Ela também pode ficar com o movimento de deglutir alimentos alterado e desenvolver a chamada síndrome do respirador bucal, em que a pessoa não utiliza corretamente o sistema respiratório.

Esse transtorno pode ocasionar olheiras, otites (inflamações na região do ouvido), incapacidade de manter os lábios fechados, além de mudar a posição corporal. Em conseqüência, a criança demonstra cansaço freqüente e dificuldade para se alimentar e pode ficar com sua capacidade de aprendizagem comprometida.

Os cerca de 20 músculos faciais usados pelo bebê para mamar o leite materno são os mesmos mobilizados com o uso de copo. Os mais ativos entre eles são o masseter e o temporal, responsáveis pela movimentação da mandíbula. Segundo a pesquisadora, a mobilização correta dos músculos ajuda a garantir o adequado crescimento facial.

A mamadeira, ao contrário, estimula o uso do músculo bucinador, com conseqüências para a arcada dentária e o palato ou céu da boca. Com o tempo, essas regiões podem sofrer estreitamento, o que repercute no alinhamento dos dentes e na dificuldade de respiração nasal.

O bebê alimentado por mamadeira, de acordo com Gomes, realiza sucção por pressão negativa, caracterizada apenas pelo movimento de abaixamento e elevação da mandíbula. “Esta sucção por pressão também favorece a atividade mais vigorosa da língua e, por isso, algumas crianças que sugam mamadeira apresentam alterações ortodônticas”, destaca a fonoaudióloga.

A mamadeira também oferece mais riscos de acidentes. O hábito de aumentar o furo do bico para facilitar a saída mais rápida do leite impede o controle do fluxo e, desta forma, a criança não pode parar para descansar ou respirar.

As mamadas com a criança deitada, que normalmente ocorrem no caso da mamadeira, favorecem os engasgos e a entrada de leite pela tuba auditiva, o que resulta em inflamações na região. Com o copo, as pausas para respiração ocorrem naturalmente e há garantias de que haverá sempre um adulto por perto.

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