Portas arrombadas, paredes pichadas, janelas despedaçadas, mato crescendo por todo lado. Nove casas sem moradores tornaram-se motivo de dor de cabeça para quem reside na rua Benjamim Miguel Grecco, na Vila Dutra, zona noroeste de Bauru. Os imóveis, que foram abandonados pelos moradores e acabaram sendo depredados, ocupam toda uma quadra do local.
“É um horror, quando escurece, não dá coragem de passar ali em frente”, afirma Fabiana dos Santos Peralta, moradora do bairro. Ela denuncia que é comum usuários de drogas freqüentarem o local à noite. Um outro morador, que vive há quatro anos numa quadra próxima, confirma as afirmações de Peralta, mas prefere não se identificar.
Esse morador já habitou um dos imóveis que hoje estão abandonados e denuncia que o lugar também tornou-se ponto de encontro para os casais namorarem. “Tem dias que ali em frente fica cheio de carros parados”, diz.
Além da violência, os moradores temem outros perigos que o abandono pode trazer à vizinhança, como doenças e animais peçonhentos. “Quem garante que não podem aparecer cobras ou escorpiões, com toda essa sujeira?”, questiona Tereza dos Santos, mãe de Peralta.
Ela também teme que o local torne-se foco infestação para o mosquito da dengue. “As casas estão destelhadas, quando chove fica fácil da água ficar acumulada”, afirma.
O comerciante Nivelto Luís da Silva, responsável pelo lugar, culpa os antigos inquilinos pelo abandono. “Na medida em que iam deixando as casas, depredavam e roubavam tudo”, explica. “Teve um que ficou dois anos vivendo lá sem pagar aluguel. Quando saiu da casa, levou com ele toda fiação de cobre”, lamenta.
Segundo Silva, a inadimplência por parte dos inquilinos colaborou para que a situação chegasse ao estado que está hoje em dia. “Tentamos alugar por R$ 150,00, mas mesmo assim as pessoas ficavam sem pagar”, lembra.
De acordo com ele, a irmã, Mirlene Luís da Silva, proprietária dos imóveis, gastaria algo em torno de R$ 6000,00 por casa, para que tudo ficasse arrumado. “Não compensa gastar todo esse dinheiro”, pondera. Ele afirma que faz a manutenção regular do lugar, mas reconhece que o esforço não tem sido suficiente. “A gente carpiu os terrenos há quatro meses, mas choveu e o mato acabou crescendo de novo”, lamenta.