A umidade relativa do ar no início da noite de ontem era de 49%, de acordo com dados do Instituto de Pesquisas Meteorológicas da Unesp (IPMet). O meteorologista José Carlos Figueiredo afirmou que o índice é considerado normal para a época do ano. No entanto, segundo ele, para o conforto das pessoas está bem abaixo do ideal, que é de 60%. “Para se ter uma idéia, no verão, neste horário (18h30), a umidade relativa do ar é de 70% a 80%”.
Figueiredo afirmou ainda que não há previsão de chuva até quarta-feira. O período de seca ou pouca chuva inicia em junho e se prolonga até a segunda quinzena de outubro, quando começa o período das chuvas.
De forma simplificada, a umidade relativa do ar compreende a quantidade de água em forma de vapor existente na atmosfera em determinado momento, em relação ao total máximo que poderia existir, na temperatura observada. A umidade aumenta sempre que chove, devido à evaporação que ocorre posteriormente.
Nas pessoas, os efeitos mais recorrentes da baixa umidade são os problemas respiratórios com ressecamento das mucosas, sangramento pelo nariz, ressecamento da pele e irritação dos olhos. Para o meio ambiente, o prejuízo é o aumento considerável dos focos de incêndio.
Segundo médicos, estes problemas afetam especialmente as pessoas com rinite alérgica, que correspondem a 40% da população mundial. O ressecamento da mucosa, nestas pessoas, pode desencadear um quadro que altera o processo respiratório e a fisiologia normal. Os pacientes podem ter obstrução nasal, coriza, coceira no nariz e nas vias aéreas.
As pessoas que não sofrem de rinite alérgica podem combater o ressecamento das mucosas com lavagem do nariz com soro fisiológico. Para melhorar a umidade do ar nestes dias de estiagem, recomenda-se colocar uma bacia cheia de água na sala ou no quarto. Os aparelhos vaporizadores de água também são bom recurso para aumentar a umidade do ambiente.
Clima seco
O movimento não era grande. Afinal, era domingo de jogo do Brasil na Copa do Mundo. Pelos cálculos do chefe de enfermagem do plantão do Pronto-Socorro Central (PSC), Natanael Costa, umas 100 pessoas procuraram o PS Infantil ontem, um quarto do movimento de dias normais. No sábado, os números ficaram entre 400 e 500. Tanto ontem quanto no sábado a maioria, de acordo com Costa, apresentava problemas respiratórios.
Não é novidade que o clima seco e a baixa umidade, que ontem no início da noite era de 49%, aumentam a incidência de casos de doenças respiratórias, vitimando principalmente crianças e idosos. No entanto, sempre que as chuvas ficam escassas por um período mais longo, os pronto-socorros lotam em decorrência de bronquite, rinite, sinusite, asma, gripes, resfriados.
Tosse. Irritação na garganta. Falta de ar. Os sintomas, dificilmente fogem desta seqüência. Foi a garganta irritada que levou Bianca, 9 anos, ao PS ontem. O pai, José Flávio Deronzi, conta que a filha começou com os sintomas no sábado.
Já Carolina, 3 anos, está há mais de 15 dias com tosse. A mãe, Luísa Costa dos Santos, conta que já deu xarope, mas os sintomas não diminuíram. “Ela está com o peito cheio, por isso a trouxe aqui”. Luísa credita as condições de saúde da filha ao clima seco e baixa umidade.
“Sempre que o tempo fica assim as crianças sofrem. Ataca tudo”, afirma. A filha mais velha de Luísa, Kelly, sofre com crises de rinite agravadas, com a estiagem. Alessandra Pereira acompanhou a irmã Keila Pereira que trazia o filho Guilherme, de 3 meses. “Ele começou a ficar ruim ontem, com resfriado”, conta a tia. Sem chuva, a tendência é aumentar o movimento no pronto-socorro com casos de problemas respiratórios.
*com Erika Pelegrino