Regional

‘Onda verde’ recupera nascentes

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 4 min

Itapuí - A organização não-governamental (ONG) Bica de Pedra de Itapuí (44 quilômetros de Bauru) tem conseguido resultados expressivos com o trabalho de plantio de mudas nativas em áreas degradadas e com nascentes ameaçadas.

O coordenador da entidade de defesa ambiental José Vitor Ficcio comemora o fato de em quase cinco anos de atuação no meio ambiente, o município já recuperar mananciais dados como extintos. Ele cita a área da Fazenda São Fernando, onde se recuperou uma nascente que voltou a correr em direção ao córrego Bica de Pedra, que empresta o nome à ONG. O ambientalista comenta que, há dois anos, só se via ao redor da nascente o solo encharcado, entretanto, sem água brotando e formando um curso d’água.

“Temos uma técnica de revitalização de nascentes que o resultado foi satisfatório”, comemora. A fazenda pertence ao Grupo Cosan, parceira da ONG na recuperação da área.

No dia 21 de setembro, os ambientalistas vão promover novo plantio nesta propriedade. “Pretendemos plantar 7 mil mudas numa área de quatro hectares”, adianta.

No entanto, Ficcio define como preocupante a situação de matas nativas na região e, principalmente, no município de Itapuí.

Um levantamento de áreas remanescentes, atualizado em 1998, mostra que Itapuí ocupa o último lugar entre 14 municípios pesquisados na região em termos de preservação de mata nativa. Os dados são de outubro de 1998 pesquisados pela Lupa/Cati, da Secretaria de Estado da Agriculturta. O levantamento mede em hectares o que sobrou de florestas nativas e reflorestamento comercial - eucalipto e pinus. “Mostram uma situação deplorável. E ouvi dos técnicos que a situação atual é ainda muito pior”, garante.

Na pesquisa, conforme Ficcio, o município de Brotas ainda se mantém em posição privilegiada, com as maiores reservas de mata. As florestas nativas eram 9.340 hectares, que corresponderia a 37% do total em 1998. De reflorestamento econômico, Brotas mantinha 16.674 hectares, o equivalente a 44% do total. As duas áreas somam 26.015 hectares, representando 40,5% do total da região.

Barra Bonita

Ficcio explica que Barra Bonita está em uma posição intermediária com apenas 135 hectares de mata nativa, que corresponderia na época da pesquisa a 0,53% do total da região. Do que restava de reflorestamento comercial, Barra contaria com apenas 218,10 hectares, equivalente a 0,56%.

Entre mata nativa e econômica, o município às margens do Rio Tietê possuía 353,10 hectares de área, corespondentes a 0,55% da somatória entre mata nativa e de exploração econômica.

Pelo levantamento da Lupa/Cati, Itapuí tinha 24,50 hectares de mata natural, cerca de 0,10% de toda a região. De reflorestamento para uso comercial, restavam apenas 35,40 hectares, que equivaleriam a 0,09% de tudo que restou. O município tinha na totalidade 60,30 hectares de área com mata, o correspondente a 0,09% da soma geral.

Entretanto, Ficcio revela que as ações continuadas estão revertendo esta triste salada de números que refletem a degradação do meio ambiente constatada dia a dia.

Somente no dia 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente, a ONG plantou 2.200 mudas na Fazenda Santa Eudoxia, onde está uma nascente que deságua no Rio Tietê.

Entre as espécies plantadas destacam-se o jequitibá rei, peroba rosa, baru (árvore da região do nordeste), angelim (considerada rara), jacarandá da Bahia, cedro rosa e jequitibá rosa entre outras. Ao todo, 140 espécies diferentes foram plantadas.

Nos dias que se seguiram, os ambientalista da entidade continuaram o plantio. Na margem do Tietê, foram colocadas 800 mudas no bairro Baririzinho, no Vale do Arouca. Neste lugarejo de Itapuí, a ONG vem fazendo plantio sistemático.

Estratégia

Ficcio explica que desde 2001 intensificou as ações com a estratégia de atrair empresas que ajudam como parceiras. O resultado é que até o momento foram plantadas 50 mil árvores.

Para garantir a recuperação da mata ciliar, a ONG conta com um viveiro em Itapuí, que fornece mudas. O viveiro foi construído por Ficcio no quintal de sua residência. Ele comenta que são mudas produzidas em saquinhos. Segundo o ambientalista, a maneira de produzir garante maior resistência para plantio.

O coordenador da ONG ressalta que o viveiro exigiu a perfuração de um poço semi-artesiano em sua casa para garantir água para sustentar o viveiro. A entidade foi regulamentada há cerca de dois anos e meio, mas o trabalho informal já era feito há aproximadamente cinco anos. A ONG sobrevive com a colaboração de empresas que patrocinam as áreas recuperadas. Entre as parceiras está a Cosan, Trident S/A, Reval Atacados e Papelaria, o frigorífico Frango Itabon, Móveis São Lucas, Móveis Lindolar, Supermercados Lenharo e Supermercado Canella.

A partir desta semana, estudantes começam a aprender técnicas de produção de mudas nas escolas. A ONG Bica de Pedra estará circulando pelos colégios públicos da cidade num trabalho de sensibilização dos alunos. Ao invés de sacos plásticos, as mudas vão ser transplantadas para garrafas pet, mostrando uma nova opção de reutilização das garrafas descartáveis.

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