Política

Deputado quer candidato do PMDB

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 3 min

Com a decisão da executiva nacional do PMDB de não lançar candidato próprio à Presidência da República, restou aos peemedebistas a esperança de, pelo menos, ter o maior número possível de candidatos a governador. No entanto, em São Paulo, o partido ainda não decidiu se terá ou não candidato ao Palácio dos Bandeirantes.

Defensor da candidatura própria, o deputado federal Paulo Lima afirmou que é lamentável um partido histórico como o PMDB ficar sem candidatos. Como a disputa federal já foi enterrada pelos líderes da legenda, resta ao deputado lutar para que o partido lance um candidato a governador em São Paulo.

Em visita ao Jornal da Cidade, Lima revelou que vai colocar seu nome à disposição do partido para disputar a sucessão de Cláudio Lembo (PFL), mas destacou que há muitas dificuldades em apresentar uma candidatura faltando menos de um mês para o início da campanha eleitoral.

Lima ressaltou que há uma “ditadura” que não permite que novas lideranças disputem espaço dentro do PMDB paulista, para que o partido renove seus quadros. “O Quércia fala que é candidato e aí acaba não saindo, não confirma, e não dá tempo de fazer alianças, coligações”, salientou, dizendo que não é possível para um partido lançar candidato próprio sem se coligar com ninguém.

O deputado afirmou ter procurado várias siglas, tentando viabilizar sua candidatura, mas diante das incertezas do PMDB, os outros partidos se afastaram, procurando lançar candidatos ou se aliar com outros. “Eu cheguei a conversar com o PDT, PL, PTB, PPS, PP. Conversei com todos esses partidos para chegar à terceira via e dar ao eleitor uma opção além do PT e do PSDB”, explicou.

Para o deputado Paulo Lima, o PMDB tem vários nomes que têm condições de disputar o governo, mas não prospera porque o partido “tem dono”.

Três possibilidades

Mesmo defendendo a candidatura própria, Lima ressalta que o partido tem três possibilidades na convenção estadual, marcada para o dia 24: lançar candidato próprio, se coligar com o PSDB de José Serra ou com o PT de Aloizio Mercadante. “A base peemedebista, os prefeitos e vereadores, querem uma candidatura própria, só que a cúpula não acompanha o pensamento da base, e aí você começa a diminuir o tamanho do partido”, afirmou.

Demonstrando que está disposto a entrar na disputa pelo governo do Estado, Lima não poupou críticas ao ex-governador Geraldo Alckmin, candidato a presidente pelo PSDB. “A política educacional do Estado é totalmente equivocada. A de Saúde está errada, estão voltando as epidemias de dengue, de malária, de pneumonia. A segurança pública é a vergonha nacional”, frisou.

Lima também criticou o presidente estadual do PMDB, Orestes Quércia. Para o deputado, Quércia se coloca como onipotente dentro do partido e não trabalha em equipe. Comparando o partido com um time de futebol, Lima afirmou que o presidente do PMDB paulista quer fazer tudo sozinho. “Ele não quer que novos talentos surjam. Ele quer bater o pênalti, marcar o gol, levantar a taça, e não é desse jeito, porque do mesmo jeito que no futebol, o partido é uma equipe, e ninguém ganha uma partida de futebol ou uma eleição jogando sozinho”, destacou.

Interesses escusos

Paulo Lima afirmou que o PMDB não lançará candidato a presidente por causa de interesses dos velhos caciques peemedebistas. “Interesses que não são políticos, não eleitorais e que também não são publicáveis. Então, o pessoal tem interesse em cargos, de se coligar com o governo de plantão, como foi com o Fernando Henrique e agora está sendo com o Lula”, frisou.

O deputado explicou que o ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho venceu as prévias e registrou a chapa, tendo o senador Pedro Simon como candidato a vice. “A chapa está lá, registrada, mas esses interesses escusos dos caciques impediram que o partido lançasse candidato próprio”, disse.

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