Mesmo com os recentes acontecimentos em Brasília - invasão e depredação da Câmara pelos militantes do MLST - é melhor o voto consciente e responsável. Destaque-se duas manifestações pela TV a respeito da baderna da semana passada: a face envergonhada do presidente da Câmara dos Deputados a dizer ´Não estou com eles´, os baderneiros, e a agressividade de ACM, indignado ao microfone do Senado, convocando os militares para voltar a tomar conta da nação. Nossa Pátria superará momentos tão aviltantes da situação política. Mas é preciso participação responsável de mais brasileiros. Ouve-se por aí que poderíamos trocar todos os candidatos na próxima eleição, bastando para isso ter mais de 50% de votos nulos. Conseguir essa porcentagem é utopia, mas acreditar que alguns bons poderão fazer diferença não é!
A democracia brasileira tem melhorado muito. Desde meus tempos de universitário vejo o Brasil superando crises “intransponíveis”. Na rica diversidade desta imensa população - étnica, geográfica, cultural, educacional, patrimonial, e... política - o país está se aprimorando. Repetindo, o país está se aprimorando; acredite! Nada a ver com o governo... Para o voto consciente e responsável, vamos fugir do pessimismo ou do egoísmo de achar que pequenos favores são o meu preço. Posso fazer alguma coisa nova pelo meu país, ignorando se estou sozinho. Escolha de candidatos está difícil? Tem algum candidato que tem fugido ao lugar-comum dos promessinhas? Há os que fogem do falso é-dando-que-se-recebe, ou ainda do rouba-mas-faz? Existem, sim, os que não aviltam o mandato, não apenas por roubo mas também pelo que e a quem apóiam. O padrão disseminado às vezes impede que valorizemos os que aparentam fraqueza nos “conchavos”, que mantém dignidade e postura ao discursar, que tratam aberta e claramente dos apoios, que fogem de entendimentos com ex-corruptos famosos, que aguardam o prazo legal para expor sua filosofia de liderança. Ignorando as pesquisas atuais será bom voltar a se discutir política! É isso mesmo. Expondo nossos pontos de vista, vamos voltar a levar a sério o assunto, evitando discussões apenas emocionais.
O Brasil precisa de nós. De um por um, pessoa a pessoa, lutando por um posicionamento altivo, provocando novo despertar neste povo admirável, vivendo um entusiasmo cívico real, confiando no futuro melhor que pode ser conquistado. Afinal, o triunfo dos maus é quase sempre devido à inércia dos bons. Ainda há tempo até as eleições. Se aos poucos passarmos a tratar a política de forma séria, buscando com empenho o que é melhor para o país, veremos com olhos pró-ativos a população, a educação, o trabalho, as obras públicas, as manifestações cívicas positivas. Por exemplo, vale a pena conhecer o projeto do Plano Diretor de Bauru em finalização. Com todos os percalços próprios de qualquer administração pública, podemos admirar a persistência, a postura democrática, e a vitória da coordenadora do processo, a arquiteta Maria Helena Rigitano. Ao fundir longa experiência técnica com opiniões dos grupos cidadãos bauruenses, de bairros, empresariais, acadêmicos, ambientais, a coordenadora do processo simplesmente ouviu o cidadão, para quem sabe que trabalha! (O autor, Antonio Gerson de Araujo - economista, professor universitário e ex-secretário da Administração - e-mail: anger@uol.com.br)