Política

Câmara decide convocar Tuga e Purini

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 4 min

A Câmara Municipal de Bauru vai convocar o prefeito Tuga Angerami (sem partido) e o presidente da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb), Renato Purini (PMDB), para darem explicações sobre as denúncias de suposto caixa dois na campanha eleitoral de 2004, quando a empreiteira Marquise teria doado até R$ 400 mil, não contabilizados, à campanha da chapa Tuga-Purini. Em troca, a empreiteira seria beneficiada com a exploração da coleta de lixo em Bauru, que teve anúncio de contrato de emergência realizado pelo governo local em janeiro de 2005.

Os vereadores têm insistido, desde que o assunto veio à tona, que o prefeito e o vice devem explicações à população. Até agora, apenas Purini revelou ao JC que houve contato e negociação com representante da Marquise, em São Paulo, em 2004, para discutir suposta doação à campanha. O vice diz que não tem conhecimento se a contribuição foi efetivada ou não, como sustentou seu ex-diretor de Limpeza Pública, Jorge Monteiro. Depois, este tentou se desmentir em relação à sua própria participação no episódio.

Em relaçâo às solicitações de informações pelo Legislativo, apenas o vereador Primo Mangialardo (PV) faria o requerimento ao prefeito, onde iria sugerir uma reunião entre os envolvidos na denúncia, com a participação de vereadores e imprensa. Mas após conversar com os demais vereadores, ficou decidido que a audiência pública seria melhor, pois isso obriga o prefeito e o vice a comparecerem à Câmara.

Convocação obrigatória

Por se tratar de convocação, a Câmara ainda precisa aprovar em plenário o pedido de audiência pública, o que deve acontecer na próxima segunda-feira. Só depois da aprovação, o presidente do Legislativo, Toninho Garmes (PSDB), marcará a data da audiência. A intenção de Garmes é convocar Angerami e Purini antes do dia 30. Em seguida, virá o recesso parlamentar. A vantagem técnica da audiência é que prefeito e vice são obrigados a comparecer, sob pena de sofrerem sanções político-administrativas. “Como é uma convocação, o prefeito e o presidente da Emdurb têm que comparecer”, afirmou Garmes.

Para o vereador Primo Mangialardo (PV), o ex-diretor da Emdurb Jorge Monteiro também deveria comparecer para prestar esclarecimentos. Segundo ele, apesar de Monteiro não ser mais funcionário e não poder ser convocado, a participação dele na audiência seria importante. “Para o tamanho do problema e a situação que Bauru está exposta, seria bom que o denunciante também compareça”, disse.

Mangialardo também destacou que pretende convidar representante da empreiteira Marquise a participar da audiência pública. “Nós não podemos oficiar isso, mas pessoalmente vou localizar alguém da empresa e vou mandar a informação da audiência pública sobre o assunto”, ressaltou.

Paulo Eduardo Martins Neto (PFL) destacou que a decisão da Câmara foi correta. “Com essa audiência pública, muitas situações que estão às escuras vão aparecer”, disse. Segundo ele, será a oportunidade de Angerami e Purini explicarem o contrato de emergência assinado em janeiro de 2005 e os contatos com a Marquise. “Os vereadores vão questionar sobre essa terceirização emergencial, essa conversa que o vice-prefeito disse sobre a reunião com a empresa, se houve, qual a finalidade, se o prefeito se interessou pela proposta. Então, eu entendo que é muito salutar e propício que haja essa audiência”, frisou.

O vereador Marcelo Borges (PSDB) ressaltou que a Câmara dá uma resposta aos que cobravam uma atitude por parte dos vereadores. Segundo ele, a partir do que for dito na audiência, o Legislativo terá mais subsídios para tomar as decisões cabíveis ao caso. “Acho que será o momento para o prefeito e o vice explicarem o que aconteceu”, disse.

O líder do prefeito na Câmara, Antônio Faria Neto (PDT), garantiu que Angerami comparecerá à audiência. Faria voltou a defender o prefeito, afirmando que não houve caixa dois na campanha eleitoral. “Ele (Angerami) sempre garante que não tem e eu estou dizendo para vocês que não houve recursos diferentes daqueles que estão na prestação de contas”, afirmou.

O prefeito Tuga Angerami não se manifestou sobre a audiência pública. A assessoria de imprensa da Prefeitura informou que ele só irá se manifestar após a convocação. A assessoria do prefeito também informou: “nada a declarar”, sobre a pergunta óbvia encaminhada ao chefe do Executivo local sobre a afirmação dada por seu vice, Purini, ao JC, na semana passada de que Angerami participou da tratativa com a empreiteira Marquise sobre eventual doação à sua própria campanha.

Comentários

Comentários