A decisão do juiz Luiz Roberto Ayoub ainda não tranqüiliza a Infraero, uma das principais credoras da empresa. O presidente da Estatal, brigadeiro José Carlos Pereira, disse que foi surpreendido pela decisão do juiz, já que ainda há dúvidas sobre a existência de capital de giro para manter a empresa voando.
A decisão do juiz não deverá desmobilizar um gabinete da crise da Varig montado pela Casa Civil para enfrentar uma possível situação de colapso no setor.
O grupo, que conta com a participação de representantes de várias áreas do governo e também dos credores estatais deverá se reunir hoje a partir das 9h no Ministério da Defesa para avaliar a situação. Na avaliação do brigadeiro, a homologação ainda não salva a empresa, pois não se sabe ainda de onde vem o caixa para manter as despesas operacionais da companhia.
A situação classificada como “desesperadora” pelo presidente da Infraero, que era a garantia de fornecimento de combustível para a Varig apenas até a meia-noite de ontem, foi contornada parcialmente. A aérea conseguiu negociar mais 24h de prazo com a subsidiária da Petrobras, e garantiu mais um dia de combustível para manter suas aeronaves voando, segundo informou no Rio de Janeiro o coordenador do TGV, Márcio Marsillac. “Estamos trabalhando com a hipótese complexa de paralisação das atividades”, disse o presidente da Infraero, antes de ser informado sobre o novo acordo de abastecimento da companhia.
“A simples homologação não gera caixa. Tem que ter dinheiro para pagar. O fato de homologar não significa que tem dinheiro em caixa”, disse o presidente da estatal, que já denunciou a Varig ao Ministério Público por apropriação indébita.
A companhia vem retendo as taxas de embarque pagas pelos passageiros, e que deveriam ser repassadas à Infraero. Ele destacou, no entanto, que ao decidir homologação o juiz deve ter “convicção de que a decisão é factível”.