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Brasil precisa de reformas contra turbulência, diz relatório do FMI

Folhapress
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São Paulo - O Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou ontem relatório em que faz elogios aos recentes avanços econômicos do Brasil, mas cobra reformas em diversas áreas para que o País possa enfrentar as recentes turbulências no mercado global.

“Enquanto as perspectivas de médio prazo são favoráveis, o crescimento da aversão ao risco nos mercados emergentes nas semanas recentes enfatiza a importância da manutenção de políticas prudentes e a continuidade da redução das vulnerabilidades”, diz o Fundo em uma análise da economia brasileira divulgada ontem.

O FMI considerou que o “mais importante desafio” neste momento seria eliminar fatores que podem travar o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). A economia teve um forte crescimento de 1,4% no primeiro trimestre deste ano, o que significa um resultado anualizado de 5,7%.

No ano passado, entretanto, a alta foi de apenas 2,3%. Entre as medidas defendidas para elevar as taxas de crescimento, estão o aumento da eficiência do setor público, a maior abertura da economia na área comercial e melhorias na intermediação financeira.

Segundo o FMI, essas medidas poderiam ajudar na redução das taxas de juros e em ganhos de produtividade. Além disso, o Fundo cobrou uma estratégia para conter os gastos públicos no médio prazo e sugeriu a contenção das despesas com a Previdência e a desvinculação de receitas orçamentárias. Outra medida defendida por diretores do Fundo foi a autonomia do Banco Central (BC).

O governo Lula, no entanto, já desistiu de formalizar em lei a independência dos diretores do BC em suas decisões e o PT descartou que esse ponto seja incluído no programa de governo de um possível segundo mandato.

No setor financeiro, o Fundo voltou a pedir a redução dos empréstimos compulsórios e dos empréstimos direcionados, assim como a gradual extinção de impostos sobre transações financeiras (CPMF e IOF, por exemplo). Essas medidas também tem forte resistência do PT, com exceção da redução gradual da CPMF, que já foi admitida pelo ministro Paulo Bernardo (Planejamento). A alíquota cairia para 0,08% em dez anos, mas a contribuição se tornaria permanente.

O FMI também defendeu a reforma da legislação trabalhista com o objetivo de aumentar a produtividade e o investimento. Para o Fundo, a flexibilização dessas leis ajudaria a reduzir a informalidade do mercado de trabalho.

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