Brasília - Os líderes partidários têm prazo até hoje para indicar os integrantes da CPI das Sanguessugas, criada para investigar o esquema de desvio de recursos do orçamento para a compra fraudulenta de ambulâncias. Após hoje, a comissão terá 48 horas para ser instalada, com a realização da primeira reunião, em que deve ser eleito o presidente e indicado o relator.
Como a data final coincide com o último jogo do Brasil da primeira fase da Copa do Mundo, a instalação da CPI pode ser adiada para a próxima semana. Até a manhã de ontem, apenas o PDT da Câmara e o PSDB do Senado haviam indicado seus nomes para trabalhar na comissão. O PDT terá João Fontes (SE) na CPI e o PSDB Arthur Virgílio (AM), Sérgio Guerra (CE) e Juvêncio da Fonseca (MS).
Caso os demais líderes partidários não indiquem os membros da comissão, o presidente do Congresso Nacional, Renan Calheiros (PMDB-AL) ficará responsável por indicá-los.
Em alguns casos, como ocorre com o PMDB, os integrantes da comissão serão indicados por um parlamentar investigado, Ney Suassuna (PB), que teve dois de seus assessores presos pela Polícia Federal na operação que desmantelou o esquema. Além disso, o presidente da comissão pode ser também do PMDB, partido que tem a maior bancada na Câmara.
A relatoria caberia ao PT, que teve a presidência da CPI dos Correios. A regra, no entanto, pode não ser seguida caso os líderes partidários não cheguem a acordo. Dessa forma, um dos candidatos a presidente da CPI seria eleito e indicaria o relator da comissão. A comissão terá prazo regimental de 180 dias, mas os líderes acordaram que pretendem concluir as investigações em 30 dias, prorrogáveis por mais 30.
Suspeita
A líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC), indicará hoje os dois senadores do partido que comporão a CPI das Sanguessugas. Serys Slhessarenko (PT-MT) e Eduardo Suplicy (PT-SP) serão titulares e Paulo Paim (PT-RS), suplente. Serys, no entanto, é investigada pela Corregedoria do Senado e pelo Ministério Público porque seu nome constaria da base de dados da Planam, empresa que se beneficiaria dos desvios de recursos do orçamento para a compra de ambulâncias.
A senadora defende-se com a alegação de que as emendas que teriam beneficiado a Planam datam de 2001, ano em que ela não tinha mandato parlamentar. Além disso, Serys solicitou dos prefeitos das cidades supostamente beneficiadas informações sobre a compra das ambulâncias. “Os prefeitos mostram que essa compra não foi feita”, afirmou a líder do PT, responsável pela indicação de Serys para a comissão parlamentar de inquérito.
“Além disso, a emenda é anterior ao mandato dela. Então não vejo problema em indicá-la”, completou Ideli. A senadora investigada e Suplicy assinaram o pedido de criação da CPI. Paim, por sua vez, entra como suplente por não ter participado das comissões anteriores -Bingos, Correios e Mensalão.
Relatoria
O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio, quer ter o direito de indicar o relator da CPI das Sanguessugas em conjunto com o PFL. Virgílio argumenta que caberia ao PMDB da Câmara a indicação do presidente da comissão e ao bloco PFL-PSDB a indicação do relator.
Nesse caso, a oposição poderia escolher entre os deputados Fernando Gabeira (PV-RJ) e Raul Jungmann (PPS-PE), que encamparam o pedido de criação da CPI, ou o senador Jefferson Péres (PDT-AM).
No entendimento dos governistas, a indicação do relator caberia ao PT. Essa equação repetiria a fórmula usada na escolha da Mesa da CPI dos Correios, quando os petistas ficaram com a presidência da comissão e os peemedebistas, com a relatoria. A sessão para definir os dirigentes da CPI deverá ser feita na quinta-feira desta semana, mas pode ser adiada por coincidir com o último jogo da seleção brasileira na primeira fase da Copa do Mundo.