Massa corrida, argamassas, acessórios para tubos plásticos, portas e janelas de plástico e alumínio, ladrilhos e lajes não-esmaltados e válvulas. Todos esses materiais de construção foram alvo da redução das alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) feita por decreto assinado pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, na última semana. Com isso, a expectativa é de que os preços desses insumos caiam dentro dos próximos 30 a 60 dias e ajudem a aquecer o setor da construção civil.
Desse “pacote” da construção, três itens - acessórios para tubos plásticos e portas e janelas de plástico e alumínio - ficaram isentos do IPI e outros sete tiveram a alíquota reduzida em até 7%. É a segunda vez em 2006 que o governo federal diminui o IPI para auxiliar a construção civil. Em fevereiro, os impostos já haviam caído para 41 produtos.
Para Cláudio da Silva Gomes, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil em Bauru, o novo “pacote” governamental poderá estimular a geração de empregos no setor. “Vai incrementar ainda mais as reduções que tivemos no início do ano dos insumos de acabamento, pois esses, por serem insumos básicos, certamente terão abrangência e repercussão maiores ainda. Com a primeira redução de IPI para o setor no início do ano, registramos crescimento de aproximadamente 9%”, enfatiza Gomes.
E acrescenta: “De fato, essa é uma forma de ter abertura de trabalho de maneira direta, democrática e desburocratizada, pois não há necessidade de assinar papéis e é no ato da compra que se recebe esse crédito. Isso acaba gerando postos de trabalho, porque quem constrói, mesmo por iniciativa própria, acaba contratando pedreiros, serventes e outros profissionais, fazendo com que haja abertura do mercado.”
No entanto, Gomes acredita que os reflexos da diminuição das alíquotas só devem ser sentidos pelos consumidores e empresas de materiais de construção dentro dos próximos dois meses. “Eles ocorrem, normalmente, de 30 a 60 dias após a medida, mas certamente sabemos que isso dará um impulso e favorecerá a construção civil”, analisa o sindicalista.
Reflexos
A tendência é confirmada por Ricardo Peres de Carvalho, gerente de uma loja de materiais de construção. “Por enquanto, até por ser muito recente, a medida ainda não gerou reflexos nas vendas. Só começaremos a sentir os impactos nos preços, que podem cair entre 3% e 5%, dentro de 30 a 60 dias, período necessário para a reposição dos estoques”, estima.
Já Ralph Ribeiro Júnior, diretor regional do Sindicato da Indústria da Construção Civil (SindusCon), é cauteloso ao avaliar a nova iniciativa governamental para o setor. Apesar de elogiar a medida, ele não crê que as reduções do IPI aqueçam muito o segmento.
“Toda a diminuição de impostos, com a sobrecarga que temos atualmente, é benéfica, mas não é isso que vai servir de mote para impulsionar a construção civil. O problema é que, ano a ano, a população fica mais pobre, os impostos aumentam e não há nenhuma política efetiva de subsídio ou financiamento para a classe mais necessitada de casa própria”, pondera.
Ribeiro Júnior justifica seu raciocínio citando o impacto gerado pelas diminuições de alíquota do IPI no início de 2006. “Nossas expectativas davam conta de que, no bojo daquelas reduções, que foram em maior número de itens do que agora, o valor final, se todos efetivamente baixassem as alíquotas e isso chegasse aos consumidores finais, significaria no máximo uma redução no valor global do imóvel em torno de 1%”, conclui.